Site Meter Projeto Modes - Encheu? Joga Fora!: 2008

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

"Brindo à casa, brindo à vida"

[texto escrito em parceria, pelas marinas morenas]




Quatro mulheres, tão meninas, voam como beija-flor, de flor em flor para beijar. O doce beijo foi aquele que trouxe de volta boas coisas. Os copos de cerveja brindam a volta das borboletas no estômago, sem o medo de um turbilhão voltar.

O desejo vem, sem ser convidado, mas chega com um ar potente, que lateja, demonstra perigo, mas que não pode ser evitado. Ele tormenta, como chuvas torrenciais, em uma tarde de verão. Doces novembros, dezembros. Tristes, mas com instantes puramente deliciosos, como pavê de uva no natal.

Bom mesmo é saber que a vida nos dá a chance de poder se encontrar. De trocar as experiências. Quem já não passou pela sensação de um dejavù? Quem não passou por uma incerteza depois de uma noite de loucura certa?

Músicas tocam diariamente e são elas que fazem voltar, mas a volta não precisa ser intensa, que intrigue a cada viagem. Ela precisa dar uma entonação gostosa, como um passo de um xote, um grude de um samba, um abracinho de love song. Ela precisa trazer paz e se essa for a forma escolhida, é assim que vai ser. Música boa sussurrada no ouvido, dá um calafrio. Sem mágoa, nem lembrança de tristeza ou saudade.

Meses de um fim de ano curtido, como pinga de fruta, com gosto de quero mais. Envolvido numa idéia de que depois de tudo, ainda restam os arrepios na orelha as mãos atrás da cintura, é como um laço pra fechar um ciclo que foi bom, que foi ruim, que é bom. Como uma onda elétrica com picos e desníveis.

Passamos pelas mesmas mudanças, de pensamentos, desejos e sonhos escondidos. Esse vai e vem de formas geométricas irregulares faz a dança se repetir, mas com passos cada vez mais ensaiados, como um caminhar de pássaros num campo de flores cheirosas. Como o teu perfume numa noite qualquer. Vale a pena sentir os detalhes mínimos, mas os passos, nunca chegarão ao perfeito espetáculo. Por que assim não tem graça. Não vale a pena.

A cor do céu passa uma leve sensação de que é um dia para se pensar. Pensar em como tudo que envolve uma vida leva anos para ser preenchido. E não há nada melhor do que a sensação de alívio porque tudo foi visto, sentido e tocado de verdade.

Tudo que envolve um período, precisa ter seu desfecho. O clichê da vida é sempre achar um final feliz, mas quem disse que a vida precisa dessa regra? Bom mesmo é esperar a ligação no dia seguinte, sem saber se ela vem. É doar o seu amor e não esperar receber nada em troca, nem todos estão prontos.

Por quanto espaço temos que caminhar pra perceber que estar bem, é simplesmente a combinação de coisas que valeram a pena, sem arrependimentos, com um ar de incerteza. Nem todas as decisões tomadas foram sofridas, assim como as que não foram tomadas, foram arrependidas e lançadas no espaço.

Uma palavra solta, um olhar mais apaixonado, um abraço encanado. Tudo isso precisa ser vivido, mesmo que doa, que alegre demais, que o sonho desperte desejo. Os sentimentos são bons, mas podem ser pesados demais para carregar sozinha. Se permitir ser livre, ser leve já é um presente da vida. As pessoas se aproximam assim.


Elas não sentem mais medo da despedida.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Bentinho

** Já que a moda é falar de Dom Casmurro, deixo aqui algumas impressões minhas sobre os seguidores de Bento Santiago.
Quem não assistiu à minissérie Capitu ontem, assista hoje. Está muito bem feita e lindamente adaptada à TV.

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Então ele a imaginava a se pintar. De vermelho nos lábios, de preto nos olhos, um rosado leve nas maçãs do rosto. As maçãs. Aquelas mesmas que ele tantas vezes já beijara carinhosamente.

Ele não podia suportar.

Então ele a imaginava a se vertir. Aquele vestido curto que a deixava com as pernas à mostra. E pensava quantos homens teriam a oportunidade de ver aquelas pernas. O mesmo vestido que a deixava com um dos ombros nu. Apenas um, por onde ele gostava de deslizar seus dedos leves sobre a pele dela.

Ele não podia suportar.

Então ele a imaginava a arrumar os cabelos. Prender, soltar. Aquelas mechas em que ele tantas vezes havia sentdo um perfume que em nenhum outro lugar jamais sentira. E ela agora prendia e soltava para que outro cheirasse.

Ele não podia suportar.

Então ele a imaginava abraçando e beijando outros homens. E pensava em quantos a haviam visto nua. E para quantos teria voltado aquele sorriso pueril e cheio de malícia ao mesmo tempo. Aquele sorriso que chegava a ser felino.

Ele não podia suportar.

Então ele imaginava a si mesmo, um homem capaz de tantas fantasias por não se conformar em ter deixado ir a única mulher que o amara sinceramente. Deixou-a por tão pouco. E não só a ela, mas à sua felicidade. Ele abandou a felicidade. Condenou-se a uma vida mesquinha e pequena.

Ele não podia suportar.

Então ele preferia imaginar que ela era uma qualquer. Desta forma, tudo era mais fácil.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Notas de um amor urbano

Ele era um desses rapazes que, aos sábados, com a barba por fazer, sobem ou descem a rua Augusta. Aos sábados quase sempre no início da noite, os óculos, meio tortos e o rosto um tanto amassado por baixo da barba crescida o faz, transparecer a noite mal ou bem dormidas. É provável que tenha enchido a cara na noite anterior, acabado de chorar ou qualquer coisa assim. Costumam usar jeans desbotados, tênis gastos, camisetas e, quando mais frio, algum agasalho de time de futebol. Quase sempre levam as mãos nos bolsos, o que torna impossível para os outros, notarem seus dedos amarelados pelo excesso de fumo. Eles olham para baixo, não como se tivessem medo de tropeçar nos solavancos freqüentes das calçadas da Augusta, mas como se não houvesse expectativas. Seguem atônicos, como se tanto fizesse dobrar à esquerda ou à direita, seguir em frente ou voltar atrás. Por serem como são, seguem sempre em frente, subindo ou descendo a rua Augusta. E por serem tão iguais, quem prestar atenção em algum deles, jamais saberá se são muitos ou apenas um. Um único rapaz: este, com a barba por fazer e mãos enfiadas no fundo dos bolsos, que agora, logo depois de cruzar o Miranda, começa a descer a rua Augusta em direção centro, no sábado à noite.
*
Ela era uma dessas moças que, aos sábados, com uma bolsa pendurada no ombro, sobem ou descem a rua Augusta. Aos sábados quase sempre à noite, com o rosto um tanto amassado e com olheiras que nem pensou em disfarçar com maquiagem, acabam por revelar mais do que imagina. E quem olhar com atenção perceberá que dormiu mal ou bem demais, que bebeu na noite anterior, acabou de chorar ou qualquer coisa assim, sem muita importância. Costumam, elas também, usar jeans desbotados, sapatos de salto baixo e alguma blusa de seda crepe. Essas moças que, não se sabe se pela maneira altiva como fingem não ouvir as gracinhas que alguns dizem, ou se pelo jeito firme de segurar a alça da bolsa com seus dedos de unhas sem pintura, ficam a espera de um súbito encontrão de alguém que arrebatasse a bolsa para depois rasgá-la num terreno baldio e, decepcionado, com o dinheiro escasso, uma agenda de poucos compromissos, bilhetes de metrô e algum livro de poesia, fugisse atrás de mais sorte. Essas moças não olham para baixo nem para cima: com passo decidido, olham direto para a frente, como se visualizassem além do horizonte um ponto escondido para esses outros que passam quase sempre sem vê-las. Talvez sejam tantas e, se realmente o são, tão parecidas que, se alguém do alto de uma janela no Conjunto Nacional olhasse para baixo e as visse agora, poderia pensar ver só uma. Uma única moça: esta, com a bolsa velha pendurada no ombro, que depois de cruzar o Miranda começa a descer a rua Augusta em direção aos centro no sábado à noite.
*
Mas já que o mundo, apesar de redondo, tem muitas esquinas, encontram-se esses dois, esses vários, em frente ao mesmo cinema e olham o mesmo cartaz. Love kills, love kills, ele repete baixinho, sem perceber a moça a seu lado. And this is my way, ela canta em pensamento, na versão de Frank Sinatra, não de Sid Vicious, sem perceber o rapaz ao seu lado. E talvez porque rapazes e moças como ele e ela aos sábados à noite raramente se enfiam pelos cinemas, já que preferem o álcool em excesso, os dois se encaminham para as entradas em arco do espaço Unibanco. Olharam calmamente o cartaz de Fellini e, depois, trocaram olhares:Ele sorriu para ela, sem ter o que dizer. Ela também sorriu para ele e completou:

-A augusta parece Las Vegas, não?
- O quê? - ele perguntou sem entender.
Ela apontou para trás:
- O ambiente, las Vegas brasileira..
Surpreso, e meio bobo, ele perguntou:
- E você já esteve lá?
- Nunca - ela sorriu outra vez. - Mas não é preciso. Deve ser bem assim, você não acha?
- O quê? - ele, que era meio lento, tornou a perguntar.
- O ambiente - ela suspirou.
- Parece Las Vegas.
Ele sorriu também outra vez.
E concordou:- Sim, é verdade. Parece...

Nesse momento talvez ele tenha pensado em oferecer um cigarro a ela, em perguntar se já tinha visto aquele filme ou alguma outra dessas coisas meio bestas, meio inocentes ou terrivelmente urgentes que se costuma dizer quando um desses rapazes e uma dessas moças encontram-se com razões sexuais ou não. Mas como ele era mesmo sempre um tanto lento, não perguntou coisa alguma, não fez convite nenhum. Nem ela. Que lenta não era, mas apenas distraída. Ela então sorriu pela terceira vez, e já de costas abanou de leve a mão abrindo os dedos, e continuou a descer a rua Augusta. Ele também sorriu pela terceira vez meio sem jeito como era seu jeito, enfiou as mãos ainda mais fundo nos bolsos, coçou a barba por fazer e resolveu descer a rua Augusta.

Uns cem metros além, por associação de idéias nem tão estranha assim, talvez um deles tenha olhado para trás procurando quem sabe algum vestígio, um resto qualquer um do outro pela rua Augusta escura de um sábado a noite.

Mas ambos já tinham sumido por esquinas de ladeiras súbitas e calçadas maltratadas. Ao redor deles, luzes amareladas e vermelhas, prostitutas que dançam e bêbados que cantam. Não seria surpresa se no próximo segundo surgisse uma briga ou alguém cheirando pó, “Sim, Las Vegas brasileira”, Talvez tenham pensado, embora, de certa forma, eles nunca tivessem estado lá.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Nem sempre déjà vu.



Pegou na minha mão e me chamou para dançar. A música ficou lenta, nossos corpos se juntaram, a melodia envolvendo o momento e nossas bocas.

A gente se envolveu. Jorge Ben, eu e você.
Jorge Ben, eu, você, ela.
Jorge e eu, você e ela.

O amor e o ódio caminham lado a lado, linha tenue, preferi te amar.

Pegou na minha mão e me chamou para dançar. A música ficou lenta, nossos corpos se juntaram, a melodia envolvendo o momento e nossos corações.

A gente se envolveu. Jorge Ben, eu e você.
Jorge Ben, eu, você, aquela.
Jorge e eu, você e aquela.

O amor e o ódio caminham lado a lado, linha tenue, preferi te esquecer.

Pegou na minha mão, não havia espaço pra dançar. Jorge Ben dividiu o palco com Cazuza e eu joguei tudo pro ar.

A gente se envolveu. Eu e você, e mais ninguém.

O destino põe tudo a prova, mas esses momentos nunca me pareceram iguais.


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Perfume


Desde a última vez em que o abraçou, naquela tarde chuvosa do mês de maio, jamais havia encontrado ninguém que usasse aquele perfume. Um aroma forte e único, que ela não saberia dizer essência do quê. Lembrava-se de tê-lo respirado fundo como se pudesse guardá-lo consigo, mas de tê-lo sentido se esvair por não conseguir prender todo aquele ar.

E ela admitia: Nos primeiros dias procurou incansavelmente em cada abraço, em cada frasco, em cada brisa, ainda completamente entorpecida daquele odor envolvente.

Mas ela sabia, toda droga causava, depois da euforia, uma depressão aguda e dolorida. Um mês, dois, três, quarenta novos cheiros em pelo menos vinte novas nucas que beijou em madrugadas regadas a muito álcool. Uma ou duas vezes ela teve a impressão de sentir aquele perfume de novo, mas sabia que disso não passaria: uma impressão tola de quem vê uma cascata num deserto imenso.

Sabia agora, como quem sabe que um dia morrerá, que ele nunca usara nenhum perfume. Era desleixado e ranzinza demais para isso. Aquele cheiro que a deixava tonta, o mesmo que ela buscava incessantemente em todos os abraços, era o cheiro dele, o cheiro da pele dele. E essa fragrância é aquela que ninguém jamais poderia manipular.

E para esquecer, o cheiro do conhaque lhe bastava.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Prostituição de valores


Foram meses de luta e reluta.
De lembranças da sinceridade às avessas
Forjada numa intensidade de risadas e bebidas.

Mas Ana dançava.

Porque sabia que o melhor ainda estava por vir.
E com ele, respeitável público, o começo do espetáculo.

As palavras ficam pesadas enquanto Rosana fala, fala, fala.
E as verdades e mentiras e contradições e falsidades:

ali, limpas, esticadas, prontas para o reuso.
A história que se resume tão friamente em casos paralelos.
Histórias carnais, sujas.
De uma pessoa que precisa provar a si mesma que é capaz daquilo que jamais terá.
Uma farsa de desejo incumbido numa vontade baixa de auto-afirmação.
E sem ela imaginar, todos já sabem.
Da prostituição de todos os valores deixados para trás.
Valores que talvez nunca existiram.
Trocando tudo pelo mais inconseqüente suor.
Por nada.


Luxúria amadora.
Fútil.

Mas enquanto a cortina desce, Ana agradece.

E a Rosana?

domingo, 9 de novembro de 2008

Dolorido Colorido

Ok, esta noite não irei perguntar por que você voltou, por qual motivo -mais uma vez- bate a minha porta com olhos ainda confusos e cheios de um vazio incalculável. A verdade é que nem mesmo você sabe. Se eu perguntasse, mais uma vez, você se sentiria obrigado a responder, e respondendo, como em tantas outras oportunidades, daria uma explicação que nem mesmo você acreditaria.

Não há explicação, compreende? “Eu também não vou perguntar”, pensei ironicamente, depois quinto cigarro.

Aquilo era apenas uma alusão fantástica aos tempos em que só no silêncio construía uma compreensão úmida e intensa. Mas hoje não é. Sei que não, e você também sabe, hoje não atingiremos mais o ponto em que um silêncio basta. Tempo doce em que vinho tinto e respiração ofegante eram suficientes para saciar cada vácuo das perguntas mal formuladas.

Agora, mais do que nunca, será preciso encher o vazio de palavras. Palavras que não te convencerão, não me confortarão e não farão disto algo menos medíocre do que é.

Pergunto, sob efeito da nicotina nos dedos e língua, por qual motivo você se foi, por que, se sabia que a partida culminaria em uma imutável distância, e que nessa distância, a gente, irremediavelmente, perderia ou esqueceria tudo aquilo que construímos juntos.

Você sabe, é na distância que a gente esquece ou se perde. E, como um velho que definha na cama sabendo que está morrendo, a gente esquece sabendo que está esquecendo.

Como diria Caio Fernando de Abreu, “Dolorido, Colorido”.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

É uma mentira.

Nada com o que sonhar. O meu verso já não segue um padrão, e eu nem sei se quero que ele siga. Ando com mil pensamentos de você na cabeça e que me tocam bem no fundo, como uma panela que me queima a mão. A dor é rápida e intensa, assim como as palavras que eu ouço e sinto depois de um sábado de mentira.
Estranho é seguir sem um caminho planejado, sem um plano encaminhado, enquanto você aparece na visão mais perfeita, aquela visão que me dá mais medo. Covarde por não conseguir expressar a verdadeira sensação de caminhar a esmo, sem lenço e sem documento, e corajosa por seguir por um espaço de sentimentos, que eu achei que tinha perdido.
Estamos praticamente no mesmo barco, mas em lugares opostos. Continuará assim, por um tempo indefinido, até a música que me lembra você, tocar e me fazer desviar seus olhos e sua boca da minha atenção.
Indefinição é uma boa às vezes. Sigo pensando assim talvez por não querer ter nada definido. Te ter, mesmo sem ter, me acalma. A revolta vem depois.
Dessa vez ela não quer chegar. Sorte a sua. Sorte a minha.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Casos


Ele levanta da cama com a incerteza do que fez.
Do ápice de uma parcialidade, espera.
Sim, continua esperando.
Fez fila de momentos parciais, pessoas parciais, lugares parciais, revistas parciais.
Porque o que gosta mesmo é de uma opinião só. Um lado.
E vai esperar o que for para encontrar isso.
“A verdade é sempre a sua, ou seja, aquela que você quer ouvir”, explica-me fazendo um paralelo à minha história.

20hs e a conversa ao telefone parece longe do final.
Ele me conta todos os motivos parciais porque desistiu dessa última - a terceira em quatro meses.
- Sabe, falta uma coisa diferente.

É. Faltam muitas coisas diferentes.

Mas ele, então, segue calado.
Sorrisos rápidos, grandes filosofias curtas e a distração na música.

- Você deveria ir a um show.

.
.

Olhei atrás da fila. 5 pessoas de distância e dois ingressos se encontravam.
Incrível a coincidência dos casos.



segunda-feira, 8 de setembro de 2008

...


Lembro-me de um sonho em que eu visitava um vilarejo com muitos sapos. Foi estranho, porque nunca fui de frescura e ataques de nojo, mas gritava toda vez que via um. E ria. Gostava da sua cara de protesto para as minhas bobeiras e do abraço no final das contas. Os seus apertões eram sempre diferentes. Um para cada ocasião, porque quando eu chorava era sempre um mais doce, quando eu sorria era um mais forte e quando eu mordia o lábio era um furacão.

Lembro-me de um sonho em que eu andava entre borboletas. De várias cores. Todas elas sussurravam seu nome. Era engraçado, porque você sempre aparecia e sussurrava o meu. De acordo com o nosso grau de loucura instantânea, a risada saia sem entendermos porque. Você sempre me fez sentir uma fada brilhante entre cogumelos e estrelas cadentes. Por que com você, tudo sempre foi mágico. E os seus olhos não te deixavam mentir.

Lembro-me de um sonho em que o céu estava pink e que estávamos em uma canoa. Você tinha um radinho de pilha que era perfeito no momento. “Don't worry about a thing, Cause every little thing is gonna be alright”, enquanto o mar prata de pôr-do-sol refletia minhas mãos arrumando os seus cabelos. Eu os observava sempre. Ficavam cor de mel em ocasiões de puro romance, eu e você. Acho que eram meus olhos. (e agora meus risos)


O que incomodou, foi quando percebi que sim, você podia não ser mais parte de mim. Que sim, a minha vida continuou sem você. Eu consigo criar asas sem pensar que te deixarei para trás.


A sua mágica me fez entender que o meu amor próprio é o único perfeito. Nenhum mais.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Difícil



“Difícil não pensar, difícil é não querer gritar... Difícil olhar para trás, difícil é não te ver jamais...”


A esperança foi algo que ficou por muito tempo. Quanto? Não lembro.


Foram muitos... Muitos meses, muitos momentos, muitos erros... Pensar que fui perfeita é egoísmo, mas os maiores erros foram seus.


Sempre fingi que não gostava, mas perceber que você não faria mais parte da minha rotina foi a pior coisa que aconteceu. O disfarce caiu.


Após o telefonema veio as lágrimas e a insônia, junto c/ a insegurança de dizer para o outro que ainda gosto de você.


“Cada coisa que eu consigo, quero dividir contigo. Não vai ser fácil esquecer...”

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Dieta do Amor

O Texto a seguir foi escrito em parceria por Luiza e Paula.



Acordei com a sensação crônica da burrice de todos os meus iguais: Ninguém sabe, e jamais saberá, como é que se faz para preservar o amor. Se subentendermos, então, que o amor tenha prazo de validade, poderíamos comparar o mais famoso sentimento do mundo como quem vai ali, no mercado da esquina, e compra doce de leite, salgadinho e a lasanha congelada.


A gente até tenta se precaver para tentar prolongar a existência do amor. Os químicos inventam novas embalagens a vácuo, sacos plásticos com fecho especial e mil formas de se manter em congelamento prolongado. Além, é claro, daquele monte conservantes que fazem mal (e a gente sabe que faz), mas que nos dão a sensação de um amor saudável e comestível.

Há táticas de avó que também podem ser consideradas infalíveis. Não adianta, por exemplo, experimentar o amor com a colher e depois voltá-la à panela. Acredite, azedará todo o amor que sobrou da receita. Ah! Guardar aquele amor antigo na geladeira prolonga o uso, mas faz perder o sabor. Nesse caso, cabe ao degustador saber se vale a pena ingerir.

E é para adequar-se a essa difícil realidade que algumas pessoas engolem de uma vez só todo o amor que podem. Mas estes, coitados, esquecem-se, que o organismo também descarta os restos mortais daquele amor ingerido às pressas. Algumas horas, um dia inteiro, dois no máximo. O amor vai embora do mesmo jeito.

Existem, também, os que preferem devorar aquele amor estragado, podre e fedorento a deixar de senti-lo dentro de si. Preferem o amor que provoca o vômito a amor nenhum. E essa pessoas o engolem, vomitam, agonizam e, por fim, acabam se alimentando desse mesmo amor outra vez e mais uma, e outra.

Se raspas e restos interessarem, existe ainda aquele amor que se espalha pelo chão, se derrama por toda a extensão do ambiente. Quem preferir tomar desse amor, terá que mastigar bem o orgulho, engolí-lo e, só então, abaixar-se e recolher do chão aquelas sobras sujas que tanto desejam, antes que tudo derreta.

Tem aquele amor caviar. Ninguém gosta, mas é uma questão de status. Esse amor é degustado no "hight societ". A verdade é que ninguém aprecia, mas engole para que outros admirem o bom gosto do degustador. Esse amores possuem um prazo de validade ainda mais curto, dura apenas o período da festa, depois, é só aguardar a reação imediata no organismo. Aquela repulsa incontrolável.


Aos saudáveis, vale o amor sem tempero algum. A falta do sal, por exemplo, evita problemas do coração. Estou falando daquele prato cheio de um amor morno e sem tempero. Amor sem graça, sem gosto. É claro que esse amor também perece, mas enquanto válido, pelo menos, não faz mal ao portador. Nem bem. Nem nada. E é por isso, que muitas vezes, esse amor é deixado de lado ou consumido simultaneamente com aquele amor salgado encontrado no fundo do armário.

Aos gulosos existem aqueles amores excessivamente doces, aquele amor envolto em chocolate, leite condensado e açúcar. Esse amor causa diabetes, engorda e faz mal. Mas é doce. Esse amor dá dor de barriga, e o prazo de validade sempre sobra. Normalmente, quem o consome logo se sente enjoado e acaba ficando até com vertigem. Mas não importa, esse é o amor mais doce de todos.


E mesmo com tudo isso, triste mesmo, é fazer regime de amor. É contar calorias e deixar de ingeri-lo. Assim como das proteínas, do cálcio, dos carboidratos e dos sais minerais, o corpo precisa do amor. E dificilmente alguém se manterá de pé se não consumir um amor de vez em quando. Ou, nesse caso, se não se permitir consumir pelo amor.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Melodia e letra.


Penso com carinho nos dias que preciso. Dias mais coloridos. Sem muito falatório, mas cheios de expectativas e sorrisos sinceros. Penso em como eles vêm e vão, e não permanecem. A dura realidade de dias frios e incompletos me fazem de palhaça, a ponto de parar de sonhar por segundos pelo que ainda quero. Você que não vêm, aquele que não vai. Outro que insiste em cutucar, mesmo que em silêncio. Penso naqueles que estão comigo diariamente e percebo que mesmo achando superficialmente que as rotinas são tranqüilas, no fundo sei que são como são. Como o meu eu. Com altos e baixos. Percebo que isso não me impede de tentar seguir em frente, comigo mesma, porque todos são assim. Cheios de ilusões (sim, ilusões) e dias felizes. A música toca alto nas caixinhas de som, presto atenção em cada detalhe, em cada troca de agudos e vozes leves e entendo como tudo tem um encaixe perfeito. Existem músicas que ainda não saíram do papel porque a hora não chegou. A minha hora chega assim que a melodia encontrar a letra.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Eu não sei na verdade quem eu sou !!!


"Eu não sei na verdade quem eu sou
já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou
Por que a gente é desse jeito?
criando conceito pra tudo que restou
Meninas... são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
E sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou
Perguntar... da onde veio a vida
por onde entrei... deve haver uma saída
e tudo fica sustentado... pela fé
Na verdade ninguém... sabe o que é
Velhinhos são crianças nascidas faz tempo
com água e farinha colo figurinha e foto em documento
Escola! É onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
E sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou
Perceber que a cada minuto
tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
tem gente trepando no escuro, tem gente sentido ausência."


(Teatro Mágico)

terça-feira, 29 de julho de 2008

a.G e d.G – A vida antes e depois do Google

Antigamente (há uns dez anos!) você fazia uma pesquisa no cade, depois no alta vista, depois no yahoo e por aí vai... Hoje você faz no Google e caso ocorra o imprevisto de você não achar o que procura você apela e vai a outro site, acho difícil achar em outro, mas… quem sabe né?

Segundos dados (Dados de onde? Dele mesmo, do G-O-O-G-L-E), um em cada seis habitantes do PLANETA TERRA é beneficiado hoje de forma vital e sem custo pelo Google, uma empresa que ganha a vida oferecendo produtos sem obrigar ninguém a comprá-los. É até curioso. Uma empresa que aumentou 1.000% suas vendas em cinco anos porque soube se aproveitar das regras do capitalismo, não impõe essa lógica mercantilista aos seus clientes. Não é preciso comprar, não é preciso clicar onde o site indica, não tem pop-up... Ai gente, são tantas qualidades...

Há quem tema que o Google possa dominar o mundo. Mas ó, por mim, que domine. Domina ae meu! Cada computador desse planeta, mantendo-o refém das suas soluções geniosas e gratuitas. Vamos abrir licitações. Deixar o Google dominar o poder público, os pedágios, as tevês por assinatura, T-U-D-O.

Querem ver como ele é demais?

Organizando uma viagem usando ferramentas Google, por Nina Kobayashi.
(essa dicas são baseadas nas minhas necessidades)

Preciso do nome daquele camping que o fulano me indicou em um lugar X: Google.

Agora, preciso saber como chegar, saindo do centro: Google maps. Me mostra distância, trajeto, opções e, de quebra, me avisa que a rua tal é contramão. Se quero ver em foto de satélite, tem também.

Opa, péra, preciso calcular o preço da diária pra cada um naquele lugar. E claro que eu, como boa estudante de jornalismo que sou, não sei fazer contas de cabeça. A calculadora do Windows deu pau. Escrevo na busca do
Google o cálculo. Igual no Excel, sabe? Deu!

Quero que toda a galera me ajude a montar a lista de compras da viagem. Entro no
Google docs, crio uma planilha virtual e todos acessam, de forma remota e simultânea, o mesmo conteúdo. A Naíma pediu coca-cola e trakinas, eu vejo aqui. Eu aumento a quantidade de cerveja. Todos balançam a cabeça, sinalizando um SIM. Quando limo a pinga, o Ternura faz que NÃO com a cabeça lá no outro lado da cidade.

E entre muitas outras ferramentas...

Google scholar. O motorzinho vasculha a rede atrás da palavra-chave em arquivos .doc ou .pdf. Busca no nome do arquivo e também pesquisa dentro dos textos.

Google movies. Você acessa coloca a cidade desejada e pronto, surge em segundos, todos os lugares que podem passar filme, isso mesmo, não são só cinemas, são museus, salas de cultura, ou seja, tem um projetor e uma programação o Google Movies mostra o local, o filme, as sessões!

Google tradutor... o Gmail, e gente, o Orkut... ai não posso esquecer né... rs

Eu devo estar esquecendo algumas até...

E ainda tem umas “manhas” pra facilitar a sua pesquisa.

Quero saber o que é CATUABA. Simples. Joga assim no Google assim ó: “define:catuaba”. [é sem espaço mesmo viu.]

E tchanãããã... sai a definição.

Ou quero procurar por chocolate, menos o branco...

Joga “chocolate –branco” [sem espaço também.]

Ai, obrigada Mauricio, professor de jornalismo digital (era isso meninas?)

Sem exagero, o título desse texto poderia ser algo do tipo "Google para presidente" ou "Google case-se comigo". Porque, né gente? Visualiza: você não paga um tostão – nada, nem impostos, nem taxa de manutenção ­– e basta seu computador estar conectado – que ele passa a ser governado por um motor invisível que o torna capaz de gerir as trilhões e trilhões de informações da internet, além de oferecer inúmeros outros serviços e ferramentas, inimagináveis há uma década e cuja ausência hoje, só de pensar, assusta.

Eu a-mo o Google!!!

E não é um amor cego, desses que a gente não consegue explicar. Esse é um amor racional, mas dependente e incondicional... rs

Eu amo mais o Google que a Madonna... nossa!

Que Santo Google do Senhor... meu zeloso e guardador... sempre me rege, me guarde, me governe e me ilumine. Amém!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Orgulho Ferido

Voltou à casa dele àquela tarde com a esperança de que tudo não tivesse passado de um pesadelo. Não soubera, jamais, como se comportar de maneira adequada depois do fim daquela relação.

"... Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho..."

Somente Elis parecia entendê-la. Sozinha dentro do carro, sentia um alívio em escutar alguém que sentia a mesma coisa que ela. Nem que fosse somente uma interpretação. Enquanto ouvia, pensou no rumo que as coisas tomaram depois daquela tarde em que ele destruíra os planos da vida dela com poucas palavras.

"...Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço..."

Deixou o carro em uma vaga estreita. Olhou, viu que estava torto, mas não voltou. "O próximo que for sair, que se dane", pensou.

Caminhou pelo quarteirão até chegar à casa amarela. Em frente àquele portão ele a havia beijado muitas vezes. Ela podia recordar agora cada uma das vezes em que a boca dele encontrara a sua.

Respirou fundo, exitou para tocar a campainha, mas o fez rapidamente.

Ele abriu a porta de bermuda, apenas. Atrás dele, uma mulher, em trajes de dormir.

Ninguém, jamais será capaz de descrever a dor que ela sentira naquele momento. Matá-la. Era esse o instinto que a dominava agora.

Em vez disso, pediu que ele pegasse aquele livro que ela havia esquecido na estante da sala.

Minutos depois, com o livro nas mãos, virou as costas e caminhou chorando até o carro.

"... Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu..."

O rádio parecia entendê-la como nunca. Era o seu melhor amante agora.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Onde: 8º Festival de Inverno de Paranapiacaba / SP
Data: 12 de julho de 2008
Cãmera: Celular Sony Ericsson Walkman de resolução ridícula
Mas dá pra ver que é um cobertor né?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Jabá!!!

A partir de hoje a gente SUPER faz um jabá aí do lado ó ----------->
O motivo é simples:
A produção deste clipe foi feita pela Controle Remoto Filmes, amigos nossos...
E eles merecem nosso apoio!

Meninos,
Sucesso!!!

A Controle Remoto Filmes é: Bruno Dias, Bruno Graziano, Cleber Isler, Everton Oliveira, Murilo Costa e Rafael Mattielo

O clipe do Granada estréia sexta-feira, 11 de julho, no MTV OVERDRIVE. [assistam]
E segunda-feira, dia 14 de julho, às 17 horas, no programa "Domínio MTV".

O Making Of do clipe [aqui]



Equipe Modes.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Ouro


Me bossa de amor,
Inova a nota e Bossa.
Dança a saudade,
Chega.

Vinicius dá o Tom
Jobim daqui, pau e pedra.

Marias.

Samba baixinho,
No canto dedilhado.
Brasil de lá,

João.

Velhos jovens.
De Elis e Gilbertos.



Cinquenta bodas à Bossa Nossa.




sexta-feira, 4 de julho de 2008

O COBERTOR ERA MEU

( AVISO: Não vou questionar se as pessoas podem, ou não, ter opiniões diferentes )

Em qual trecho do texto mencionei a classe social de quem usava o (maldito) CO-BER-TOR?

Nenhum! Portanto, o preconceito está em quem lê e (pré) julga. Há um milhão de interpretações. E não entendo até agora pq pegaram a mais absurda. Mas respeito.

Tenho impressão que as pessoas que comentaram têm certeza que os que se comportam dessa forma em ônibus coletivo, são pobres, com baixa renda e coitados. Ou seja, fica claro e evidente que trata-se de um (pré) julgamento feito por VOCÊS. Portanto, me incluam fora dessa. Eu estava no mesmo ônibus! Falar da roupa é preconceito? Gostar de homem alto, moreno e que curte MPB ao invés de baixo, loiro e pagodeiro também é.

Poderia falar de trabalho voluntário, campanhas, ajuda ao próximo, boa ação. Mas não vou. Mesmo pq acredito que isso é dever do Estado, embora a população desempenhe a função de forma bilhante. Fiz, faço e farei campanhas. Cago e ando se as pessoas sabem ou não. Perdi as contas do que isso trouxe ou traz para minha vida. Mas uma coisa tenho certeza: serve para sabermos como o mundo se comporta num raio maior que o nosso umbigo. Ah, e me faz pensar duas vezes antes de falar.

Quero deixar claro que já tive discurso feito na ponta da língua, no auge dos meus 17 anos, e que para algumas coisas/frases o meu cérebro está bem seletivo/calejado. Como por exemplo:

- Vivemos uma democracia: Vocês. Eu não. A democracia existe dentro do meu quarto, quando boto o pé pra fora ela acaba. Se você vê democracia, me diga como ela é. Citar democracia como argumento faz eu pensar que sou uma retardada. Isso é discurso pronto! Ter, ler e comentar em um blog é democracia? Quantas pessoas poderão ler o que estou escrevendo?

- Politicamente correto: isso dói no meu ouvido. O dia que definirem o que é POLITICAMENTE CORRETO eu sento pra conversar. Desde que o mundo é mundo isso não existe, e nem existirá. Política e coisas corretas não combinam. Infeliz é quem criou o termo.

- Liberdade de expressão: de cu é rola! Justificar conceitos e argumentar com isso é dar um tiro no próprio pé. A liberdade termina quando você não respeita QUALQUER forma de expressão que não seja a sua. Argumentar e receber críticas contrárias é válido, ficar nervosinho por causa disso não. Mas é tudo liberdade de expressão né pessú?

- Hipocrisia: todo mundo pratica.

Por não VIVER o que é pobreza e apenas ter uma idéia, eu prefiro calar minha boca. Quem sou eu pra dizer o que os miseráveis precisam ou o que é melhor? Tudo bem, eu concordo que isso não impede as pessoas de dizerem o que pensam, mas dizer é uma coisa, ser Robin Hood é outra. Podia soltar o verbo e falar tudo que já aconteceu na minha vida, mas na real? é BOSTA perto do que muita gente vive, teria vergonha de justificar minhas idéias com isso.

Já que são todos muito entendidos do assunto e querem ajudar o mundo, está combinado! Mês que vem começamos uma campanha. Cada um dá um pouquinho do seu salário para comprarmos roupas bonitas e desejadas pelos necessitados. De preferência roupas da moda.

Ah, não sobra dinheiro do seu salário? Tinha que pagar a gasolina do seu carro? A roupa pra trabalhar? A faculdade? As baladas? Putz, deixa pra depois. Esse mês vamos ficar só no discurso.

Não é campanha que resolve? Então como você está resolvendo?
Faça, e volte aqui.

Tenho bastante auto-estima. Suficiente para acreditar que não sou fútil, burra ou insensível por ter feito um post tão BESTA. Não consigo encontrar outra definição. Besta no sentido mais bizarro da palavra. Ana, permita usar o termo "licença cômica". Foi mais ou menos isso. Mas pras pessoas erradas, talvez.

Se vivemos em uma democracia e somos FREE FOR EVERYTHING, o que impede de comentarem em posts ruins? Se a pessoa ficar chateada é só justificar com LIBERDADE DE EXPRESSÃO. E aos anônimos, cada um comenta do jeito que quer, mas eu escolho se quero ou não considerar esses comentários.

Não me sinto maquiavélica, insensível ou fútil por qualquer coisa que escrevi ou li. É engraçado como pude perceber que recebo críticas de uma forma até que legal. O primeiro passo para ser jornalista eu já alcancei.

10º E se não gostarem do que escrevi, estou exercitando minha liberdade de expressão. Oh.

Viemos comentar no Projeto Modes

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Inverno

Ah, o inverno!

Sobretudo, écharpe, cachecol, bota de montaria, casaquinho xadrez, jaqueta de couro, lenço.

UFA!

A moda realmente nos dá muitas opções.

C'est très chic.

Só se for na França né?!
Por que no Brasil....

...aqui tem mulher usando CO-BER-TOR dentro do ônibus.
Você leu isso mesmo. CO-BER-TOR. Vi esses dias.
É, não tô brincando. O senso do ridículo chegou a esse ponto.

Não era um poncho, nem uma blusa de lã multicolorida, era um CO-BER-TOR mesmo, daqueles bem velhos, cheios de bolinhas.

Aí eu tenho três dúvidas:

1- Onde ela carregou esse CO-BER-TOR?
2- Como ela faz pra combinar roupas, acessórios e sapato com um CO-BER-TOR?
3- Onde foi parar o senso dessa mulher?

Alguém sabe responder?

É isso aí. Fez frio? Tem que usr o transporte coletivo pra trabalhar? Dá-lhe CO-BER-TOR!

Use e abuse

Não abuse

sábado, 21 de junho de 2008

Carpe Diem

Aproveite o dia! E se esqueça do que passou e do amanhã!

Carpe Diem, aproveite o dia como se não houvesse o amanhã. Preciso ir nessa festa hoje, pois nem sei se vou estar vivo amanhã, e na festa, bebo o máximo que puder, danço até a exaustão e para diminuir a exaustão, tomo com uma bala. A insônia se instala, mas existem remédios para dormir, e depois energéticos para despertar. O corpo funciona a todo vapor e tudo tem limites.
Aproveite o dia, hoje tudo é ótimo, tudo é lindo, disposição, beleza, facilidades e amizades, o menos preocupante é o depois, que tipo de pessoas serão frutos dessa geração carpe diem? Pois quem não é nada aos 20, e não tem nada aos 30, aos 40 não é nada novamente, e os homens de 40 são vistos pelas suas conquistas.

E cuidado o dia é curto! Só tem 24 horas, e amanhã não sabemos se estaremos vivos. Afinal tanta violência, corrupção, desastres naturais, quem pode garantir nosso futuro? NINGUÉM! As pessoas que deveriam se manifestar contra os desfalques do país e a preservação do meio ambiente estão apenas aproveitando o dia.

"Carpe Diem" é uma expressão romana. Oh, que lindo! Naquela época já pensavam assim. Mas numa época de decadência, na queda do império. O lema era aproveite o dia, pois amanhã, você pode ser morto. Então estamos em decadência ou em construção? Vamos pensar, será que devemos aproveitar tanto assim o dia, ou parar um minuto e pensar na disciplina e na visão do futuro?

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O bom mesmo, é o amor à Bossa-Nova

Amigas, queridas, ouçam o que eu tenho a dizer: é preciso perder um amor. Ok, serve qualquer um. Do tipo insignificante, desses que a gente esconde dentro do bolso da calça. Ou gigante, desses que enchem tanto que transbordam. O importante é simplesmente, perder um amor. (para criar uma casquinha, virar coragem, e resultar em poesia)

Eu sou do tipo que perde o amor no vão do sofá, no meio da sala, ou esqueço dentro do carro, às vezes o meu amor se perde na rua, em plena paulista, sob um sol de 43° graus. E nem ligo se o amor foi adquirido em liquidação, prestação, ou se custou mais de um milhão. Porque todo mundo vai perder um amor de graça, sem cobrar absolutamente nada.

Nos amores à vela, é preciso olhar o mar como quem vai se afundar, acostumar-se com a maresia e o enjôo. É preciso jogar uma rosa (ou catuaba?) para Iemanjá (ou santa Naza?) e esperar. Tai um amor velado.

No labirinto dos dias, é necessário perder um amor. Errar o caminho, bater a cara no vidro e quebrar o mindinho, mas se o amor perdido ainda te deixar fora de órbita, vire uma astronauta, reconstrua satélites e troque a bateria das estrelas apagadas. Descubra novos planetas ou mude de signo. Porque o certo é deixar escapar um amor para entender as fases secretas da lua.

Só que preciso mesmo é perder um amor para merecer a Bossa Nova, o banquinho e o violão. É preciso perder um amor para entender o sorriso e a flor. É preciso ir ao cinema (mas cuidado! No escuro é ainda mais fácil perder um amor), escrever um romance e tomar conhaque. É como é deliciosamente preciso perder um amor no meio de um porre.

É preciso perder um amor em uma curva da estrada - e voltar pra casa dirigindo com cuidado. Não, minhas amigas, não chorem o amor que já saiu correndo, arrumou as malas e voou.. O amor é assim mesmo, cria asas e “Hasta La Vista, Baby”. E nem adianta procurar nos Achados e Perdidos do Metrô o amor esquecido às seis da tarde. Perdeu, perdeu. Entende a poesia?

Agora, Pense comigo, perder um amor é como cortar o cabelo. Um dia, ele cresce de novo - e a gente sempre fica melhor com um corte mais curto, né? Além do mais, é preciso perder um amor para que alguém encontre. Esse é o ciclo.

É preciso perder um amor para se sentir pior, melhor, dividido e inteiro. Tudo isso ao mesmo tempo.

E sem querer abusar do Fernando Pessoa, “Navegar é preciso, viver, não é preciso”.

Eta, precisão!

terça-feira, 17 de junho de 2008

De volta


Entramos e logo me conforto com duas doses de “Take in Sky”
(PUBs nunca escrevem CATUABA no cardápio)

Doors, Credence, Beatles.
Beatles, Stones, Hendrix.
Hendrix, Pearl Jam...

- Ei, cadê minha amiga?

Pergunto em vão a algum imaginário.
Era o terceiro “Take in Lye”.
Repasso todos os cantos num olhar.
Em vão.

- Com licença, como é o nome dessa bebida que...
- “Fake in Bye”. Minha quarta.
- Prazer, Bobby McGee.

Sim, o álcool é alucinógeno.
Bobby McGee.
O mesmo sorriso combinado.

- “Busted flat in Baton Rouge, waitin' for a train..”

Cacete. A minha música. O nome dele.
Violão que começa baixo, convence os casais ao lado.

- Vou para pista!

Ele me segue.
No som, na bebida, na cintura.
Os anos remetem às notas,
Paradoxal.
Leve, intenso, fixo.

- Vamos ao quinto “Fffake in Cry”, Bobby?
- Me espera?

.
.
.

Seu copo esquenta mais que os minutos em minha mão.
Treze acordes depois, o salão esvaziava.
Como se voltássemos a Salinas.


Freedom's just another word for nothin' left to lose
Nothin', an' that's all that Bobby left me
Feelin' good was easy, Lord, when he sang the blues
Feelin' good was good enough for me
Good enough for me and my Bobby Mcgee.


*a verdadeira história por trás de “Me and Bobby McGee” – Janis Joplin.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sessão: DIA DO CAPETA

E então hoje é sexta-feira 13.

Melhor que quinta-feira 12? Não sei.

Zagalo que o diga.


Se a sexta-feira 13 dá azar, eu não sei. Só sei que dois mil e oito anos depois de Cristo estamos vivendo o dia mais medonho da estratosfera.

Ontem foi dia dos namorados, ocasião que comentaremos em outro post. Não vamos entrar nos méritos da data, requer um estudo sociológico sobre como as pessoas se comportam de forma ridícula. Algo como "Hoje vamos ao motel, por que todos os outros dias não DEU!"

Aí vem a sexta-feira 13!

Pimba! Belzebu mandou bem e colocou a sexta-feira 13 no dia de St. Antony. Santo casamenteiro e ( indiretamente ) padroeiro dos solteiros. Rimou.

No dia de Santo Antônio estamos instituindo o Dia do Capeta.

Se você, depois de muito sofrer e pedir a todos os santos uma ajuda, resolveu fazer promessa pra Santo Antônio logo agora, eu informo que você se fodeu.

É triste. Mas não há chances dessa promessa dar certo em uma sexta-feira 13. É questão de bom senso.

E vem cá, ontem foi dia dos namorados, você estava sozinho. Culpar o santo é mancada. Pedir ajuda é pior ainda. A merda já tá feita, o pior dia já passou, o jeito é seguir em frente.

O Santo tá lá, cuidando da vida dele, e você quer que ele resolva sua vida? Pára né!

Se o Santo nunca te ajudou, quem dirá HOJE?

Perdeu!

Eu sou EMO!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Visita.


Ele entra pela porta de trás, fazendo pose de quietude. O tempo continuava o mesmo, calante e vivido. Ofereço uma bebida, campari com gelo, procuro argumentos, fico muda por instantes. Solto rápido e com pressa o que já queria ter falado. Que nós éramos iguais.
Uma risada.
Minha cara de ponto de interrogação.

Ele não entendia. Eu não entendia. Ele explica a diferença. Antes do meu manifesto.

Menina, você não se afunda. Ao invés disso anda sempre com o medo estampado, com ar de quem sabe das coisas, mas no fundo não sabe de nada. Morena que chora demais por passado, que pensa demais por acaso, naquilo que já devia ter se descruzado.
E fala que chegou pra adormecer as paixões.

Meu campari estava aguado porque parei pra escutar. E juntando as respostas, olhei, falei, que o que ele sentia era inveja de mim, me analisava durante todo o viver, tentando aprender como eu sofria tanto de amor. E tentava entender. Agora eu contei que éramos iguais, porque ele não sabe permanecer e eu também não e toda essa vida de amar e amar era simplesmente pra reviver em cada passo.

O copo dele voltou pra minha mão, foi embora calado. Penso que tentou absorver e entendeu as tantas vezes que ele trancafiou e eu joguei ao vento.

Ele cura.
Acho que não quero me curar do amor.
Ele junta os pedaços.
Já passou pela cabeça dele e de alguém,


se eu realmente quero meu quebra-cabeça montado?

terça-feira, 10 de junho de 2008

Sobre amores, doces e dores de barriga...

A panela começou a fazer pressão às 00h25 de uma noite de terça-feira. Floriana chegara em casa de saco cheio da faculdade, do volume de trabalho e dos dias cansativos que vinha tendo. Jogou-se no sofá, procurou algo de bom na televisão, mas nada interessou. “Tchiiiiii”, ela escutava lá na cozinha enquanto tentava relaxar em conversas bobas com os amigos na internet.

Esperou 20 minutos, foi até a panela de pressão, desligou o fogo e esperou até que pudesse retirar a lata de leite-moça que ali estava em banho-maria.

Assim que a panela esfriou, retirou a lata. Floriana pracisava esperar mais um pouco, agora para que a própria lata esfriasse. Lembrou-se que se sua avó estivesse ali, ela recomendaria mais uma espera, para não comer o doce quente.

Floriana tinha dores de barriga quase todas as vezes que ingeria brigadeiro ou doce de leite quentes. Não se importava. O prazer de comer o doce quentinho enquanto estava com vontade era compensador.

Floriana acabara de ver que o amor é um imenso pote de doce de leite. O banho-maria, a pressão, a ansiedade de abrir a lata, o prazer de degustar e, sim, muitas vezes a dor de barriga.

Mas Floriana tinha uma certeza: a degustação de uma colherada valia um dia inteiro com a dor de barriga.

Saudades

Vivo para ser feliz,
Sonhava em ser atriz,
Tenho uma cicatriz,
Éramos assim.

Crianças engraçadas,
Que andavam descalças,
E brincávamos na calçada,
Nunca nos preocupando.

Agora queremos sempre mais...
Mais amigos, mais perigos,
Mais amores, mais cachaça,
Mais risos e mais sonhos.

E também queremos menos...
Menos problemas, menos desilusões,
Menos violência, menos carências
E menos mentiras.

Sonhos bons, sonhos meus,
Que buscam quem está longe.
Música de saudade,
Saudade daquela idade.

O que passou, passou.
Já foi e já era.
Assim é o começo de várias primaveras
E o fim de vários invernos.

Estações do ano que vem e vão,
Passam, mas voltam.
Diferentes da idade
Que vai, somente deixando saudades !!!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Uma mulher de quase trinta anos com algumas coisas para ensinar


Posso ser dura, mas não sou burra. A vida é muito mais do que meia dúzia de palavras bonitas, e um dia, eu tenho fé que um dia todas as mulheres aprenderão uma receita básica. E o dia que isso acontecer dominaremos o mundo!

O caminho é diferenciar amor de excitação, ilusão de realidade, paixão de obsessão, e outras coisithas mais.

A ditadura dos homens na sociedade acabou. Por séculos perdurou uma cultura patriarcal sufocante, hoje podemos viver de igual, e, no entanto ainda vejo minhas amigas sofrerem. Se matando para envolver homens em jogos de sedução. Meninas, se esses cachorrinhos sem dono soubessem do nosso poder, iriam se curvar aos nossos pés todos os dias.

Temos que diminuir nossos problemas, isso é fácil. Não se trata de guerra declarada, apenas truques, vamos trocar experiências, manias, roupas e dicas, as coisas são mais simples do que parecem.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Calendário Poético.


Já se passaram os dias rasteiros. Janeiros.
E o calendário parece nunca chegar ao fim. Inícios sim.
Natal caiu em fevereiro. É carnaval o ano inteiro. Mais um mês passageiro.

As águas de março vão passar . A certeza de amor mal vivido já atormenta o meu pensar.
Um abril despedaçado. E o ritmo do coração segue com-passado.
E maio chegou ao final. É o que será de nós afinal?
Já não nos vemos mais. É hora de se mover e viver sem olhar pra trás.

Você parece uma estrela que brilha como duas no frio das noites de junho.
E no meu peito acende a fogueira. Faço mais esse rascunho.
Não posso ver o meu futuro nesses seus olhos escuros. Então fico contigo. Pra sempre abraçada, até acabar a madrugada e amanhecer em julho.
O próximo mês em que mergulho.

E quem sabe se ainda virão as tarde molhadas de agosto.
Ou a independência de setembro.
As árvores despidas de outubro.
Talvez um doce novembro.

Sem promessas vamos atravessar dezembros.
Sem ligar para esses dias que vão passando assim, saboreados devagar.

quarta-feira, 4 de junho de 2008


Ah, essa infeliz capacidade de ser infeliz.
Dizer que é feliz não cai bem.
Não soa, não se entende.
Então melhor a tristeza.
Soa, e se entende.
É fácil lidar com ela.

Se ensinaram que vida é difícil e complicada, por que a minha seria fácil e descomplicada?

"Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam."
Clarice Lispector

Desculpe-me por achar que aos vinte e três anos a vida foi bondosa.
Desculpe-me por não ouvir nas músicas as desgraças que todos ouvem.
Desculpe-me por não acreditar que o problema são os outros.
Desculpe-me por saber que o problema sou eu.
Desculpe-me por resolver isso.
Desculpe-me se minha vida tem todas as cores.
Desculpe-me se chegou sua hora.
Desculpe-me se é dolorido.
Desculpe-me se os aprendizados surgem dessa forma.
Desculpe-me se não é do jeito que você quer.
Desculpe-me se esse é o ciclo da vida.
Desculpe-me se eu acreditei em anjos.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Estava à toa na vida e o telefone tocou...


- Alô! Eu gostaria de falar com a Maria.
- Aqui não tem ninguém com esse nome. Quem fala?!

- Aqui é o Julinho, Julinho de Adelaide.
- Julinho?! Oooooi, quanto tempo, querido! Lembra de mim? Yolanda!

- Desculpe, deve ter havido um engano.

- Ah, não! Vai dizer que você não lembra das nossas travessuras das noites eternas?!

- Olha, a senhora deve estar me confundindo.
- Bandido! Até meu pai você desafiou! “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta”, lembra?

- Eu não sei mais o que dizer.
- Eu te perdôo por fazer essas perguntas que em vidas que andam juntas ninguém faz. Afinal, o meu amor tem um jeito manso que é só seu.

- Eu realmente peço desculpas pelo engano.
- Então é isso? Nunca mais romance, nunca mais cinema, nunca mais drink no dancing?

- Não, senhora. Eu peço desculpas pela ligação.
- Eu sei, agora serei uma louca a perguntar “o que é que a vida vai fazer de mim”. Você me fez promessas.

- Senhora, isso é apenas um mal entendido.
- Não pode ser. Você disse que faria bonito, que faria careta e trapaça, que faria cartaz. E eu tinha, cá pra mim, que agora, enfim, eu vivia, sim o grande amor! MENTIRA!

- Eu preciso desligar.
- Tudo bem. Mas você ainda vai me seguir aonde quer que eu vá, você vai me servir, você vai se curvar!

- Tomara que a senhora melhore.
- Não! Dá tua mão, olha pra mim! Não faz assim, não vai lá, não!

TU TU TU TU TU TU...

- Pois é. Fica o dito e redito por não dito.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ah,se não houvesse o despertar pela manhã...

Surgiu num sonho, num outubro qualquer. Se gostavam. E ainda que essa coisa toda de gostar fosse complicada demais para compreender e explicar, como todo mundo tenta fazer, naquele momento tudo acontecia dentro de um sonho. Por isso era simples. Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela. Isso era tudo. Dormiam juntos no sonho, porque era bom para um e para outro estarem assim, naquele espaço paralelo. Não via nada de fora, nem ninguém. Deitada nua no ombro dele, também nu. Não havia fatos ou fardos. Dormiam juntos, apenas. Isso era limpo e nítido no sonho que ela teve àquela noite.

Recostada confortavelmente no ombro dele, ela via seu rosto muito próximo. Esse era o sonho, nada mais. E isso, no dia seguinte saberia, era o único fato do sonho inteiro: via o rosto dele muito próximo. Se Fechasse os olhos — mas não os fecharia, pois já estava dormindo — guardaria nas pálpebras cerradas todos os traços dele. Aquelas crateras miúdas com negros fios de barba despontando duros de dentro delas, a boca levemente molhada, que deixaria escapar duas ou três frases do Noel Rosa. De olhos abertos, apesar de fechados, já que isso era um sonho, ela reparava nos dentes brancos, impecáveis. Tão simples, tão claros. E de uma forma estranha, aquele momento, seria para sempre.

Talvez ele tivesse passado um dos braços em torno da cintura dela, quem sabe ela houvesse deitado uma das mãos sobre o ombro dele, erguendo os dedos até que tocassem no lóbulo de sua orelha. E enquanto dormia, tudo era só e apenas isso: dormiam juntos no centro da noite, no meio do sonho, num outro espaço.

Foi quando, irritada, esfregou os olhos compulsivamente e pensou se ele teria mesmo passado um dos braços por sua cintura, e se esse braço teria pêlos densos, mas macios de tocar, se a mão dele realmente fechara-se exata, solidária e carinhosa naquele ponto secreto onde, constrangida, ela admitia ter mesmo algumas gordurinhas.

Pensava se havia relaxado a mão nos pêlos do peito dele, esticando dois, três dedos até tocar aquele ponto exato entre a nuca e o pescoço. Conseguiu lembrar também da outra mão, não aquela pousada no peito dele, mas esta outra que descia à toa pelos pêlos, enroscando-se até a cintura chegando numa certa barriga perdoável. A mão que penetrava o umbigo com a ponta da unha vermelha, aquele homem que não era sequer perfeito e por isso mesmo belo. E esse fato era para sempre, mesmo sendo fugaz.

Fechava os olhos, para tentar abri-los novamente no sonho, procurava novos detalhes, lembrou-se dos pés encaixados perfeitamente, do suspiro longo e doce, daquele rosto que ao dormir, não fosse pela barba, teria um aspecto quase infantil.

Sem artifícios, acordaram vazias na manhã seguinte: Ela e a Manhã.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Comunicação Social



Acordar sem ter dormido
Ressaca dentro bebedeira
E a dança que rasteja os pés.

Rindo.


Cabeça pulsa,
Corpo pulsa,
E coração.


De frente ao som ritmado
Coro ensaiado.
Passista, bateria,
Torcida e fila.


- Cabe tudo numa coisa só?
- Chama o seu Juca.


É por isso que eu sigo avante.



quarta-feira, 21 de maio de 2008

Por dentro.




Comunicadoras que somos,

estaremos offline durante o feriado.

A Equipe Projeto Modes agradece todas as visitas,


e deixa claro
QUE A LOUCURA VAI ROLAR SOLTA.

terça-feira, 20 de maio de 2008

A Rosana

Do tipo que grita, do tipo que chama.
Essa é Rosana.
Um pé na realeza, dois braços na lama.
Misteriosa Rosana.
Às vezes tímida, tantas outras, tirana.
Vadia Rosana
Caía das nuvens, direto na lona.
Inquieta Rosana.
Gosta da rua, adora uma cana.
Translocada Rosana.
Do tipo que bate, do tipo que apanha.
Deliciosa Rosana.
Escutou a profecia, de uma velha cigana.
Esotérica Rosana
Aquela velha história da mulher que se engana.
Inocente Rosana.
Procura nas ruas, o homem que ama,
Sugestionável Rosana.
Encontra um rapaz, boa pinta e bacana.
Palpitante Rosana.
Se aproxima do alvo, suas mãos de porcelana.
Vivida Rosana.
Alisou os cabelos, soltou um sorriso sacana.
Sensualissíma Rosana.
Apertou-o nos braços quanto atingiu o nirvana.
Libertina Rosana.
Acordou meio tarde, sozinha na cama.
Abandonada Rosana.
Chorou feito louca, fez de tudo um drama.
Escandalosa Rosana.
Voltou à vidente, com sua raiva insana.
Impulsiva Rosana.
Agüentou mais um tempo na novela mexicana.
Esperançosa Rosana.
E como tudo deu errado, voltou a vida mundana.
Devassa Rosana.
Desistiu do amor, focou-se na grana.
Interesseira Rosana.
Voltaria a ser puta, ministraria a velha fama.
Mulher da vida Rosana.
Mas conheceu Bidu, mãe de santo baiana.
Insistente Rosana.
O mesmo erro, a mesma trama.
A sua sina é ser sozinha, Rosana.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

NASCER

Nasce um filho e junto nasce uma mãe;
Nasce uma amizade e junto nasce a confiança;
Nasce um amor e junto nasce o prazer;
Nasce o frio e junto nasce o abraço quente;
Nasce o som e junto nasce a vontade de dançar;
Nasce o poder e junto nasce a discriminação;
Nasce a notícia e junto nasce a curiosidade;
Tudo é conseqüência.
Tudo nasce sem eu perceber.
Sempre distante do que acontece. Longe do que meus olhos querem ver.
Assim vivo no mundo pequeno (do meu tamanho), onde nasci e morrerei sem saber exato o que é viver.




O que ele diria...


- “Como as pedras imóveis na praia eu fico ao teu lado, sem saber que os amores que a vida me trouxe e eu não pude viver..”
- Pô, Raul, que deprê..
- Todo mundo precisa disso, bicho.
- Disso o que?
- De uma fossa. E de um porre também.
- Prefiro o porre.
- Mulheres são fracas.
- São realistas. É que esse papo de metamorfose ambulante... isso não existe não.
- Não mesmo. É uma bela ilusão ser ambulante.
- Eu não quero isso não.
- Eu até quero. Mas antes, peça a conta. Aliás, tá afim de conhecer meu amigo Nestor?
- O de agronomia?
- Há problemas?
- Não. Só acho que ele não "contribui para o meu belo quadro social".
- Você vai gostar. O cara é anos 60 puro.
- Aprendeu a me convencer, hein.
- Eu sou astrólogo e você precisa acreditar em mim.


E é assim que o cabeludo segura a mão daquela de marrom-opaco,
Sentam-se à mesa de madeira
Um agrônomo não entende os leads;
Os comunicadores só freqüentam o interior por puro lazer.
Mundos tão distantes. Ali, dividindo a mesma cadeira.
O mesmo prazer.
Uma música recém-criada no violão.
Enrolam, falam, acham graça.
Das conversas que costuram a madrugada.


- Eaí, como foi ontem?
- Essencial.
- Imaginei. Hoje vi você surgir ao meu lado no caderno do colega Nestor.


A história por trás de “Tu és o MMDC da minha vida”
Participação de:
* Ouro de Tolo
* Al Capone
* Metamorfose Ambulante

terça-feira, 13 de maio de 2008

Busca.


O silêncio de uma noite gelada e musical, é o teu,
aquele que balança a positividade que a música proporciona
e transforma minha esperança por tempos melhores,
em dias que não posso mais esperar por você.

A quantidade de expectativas,
caminhos tortuosos de uma menina-mulher que o amor espera,
mulher tão vivida em certas coisas, tão entendedora de si mesma,
menina tão insegura, cheia de planos e sonhos.

Eu que acredito, que o amor só dá rasteira,
que engana, que machuca
Sei que ele surpreende.


Eu que busco um encontro com uma nova aventura,
em um novo mundo de sentimentos novos
com prazer, sorrisos, beijos intermináveis,
formigamentos e dores ansiosas na barriga.

Agora me sinto forte para encontrar.
Tento expulsar a frustração do meu corpo,
enquanto ela se esforça para permanecer
numa luta sem fim.

Só espero que eu não abra a porta da minha sala
e te encontre com um sorriso convidativo,
esse que não me pertence mais.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Se ele se chamasse Isabella...

Foi durante a tarde de uma quarta-feira fria, parado diante do computador, que Diógenes, um cidadão comum, com hábitos comuns, começou a questionar a ordem e a posição em que as coisas acontecem.

Vira durante a noite o Willian Bonner falar por minutos seguidos, que para ele pareciam horas, sobre o caso da menina Isabella, que o pai teria jogado do sexto andar do prédio em que mora.

Ao saber do fato, Diógenes fez uma expressão de espanto, mas ficou apenas um pouco surpreso com a forma como a criança morreu. Não era problema dele. Afinal, não tinha filhos e residia em um sobrado. Nada tinha a ver com Isabella.

No entanto, até dormir, não parou de pensar na situação em que o pai da garota se encontrava. Lembrou, então, de que apesar de morar em uma casa térrea, trabalhava no 13º andar de um edifício na Avenida Paulista.

O rapaz decidiu não censurar e muito menos condenar a atitude do pai da garota.

"Diógenes, onde está o relatório que eu pedi?" - pergundou Ubaldo, seu chefe, rasgando seu raciocínio.

"Estará pronto em um minuto" - respondeu o reles empregado.

Diógenes olhou pacientemente seu chefe sair resmungando da sala em direção ao seu computador, onde, provavelmente, havia um jogo do UOL aberto enquanto Diógenes trabalhava. Terminou o relatório, imprimiu três cópias e colocou-os onde a educação mandava.

Hora de ir para casa.

A noite correu tranquila.

No dia seguinte, as 9h30 da manhã, um homem se estatelou na calçada da Avenida Paulista. Era o chefe da microempresa que funciona no 13º andar.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Naquele instante.

Ele pede que ela escolha a música.
De propósito.
Ela escolha feliz, aquela linda.
Ele puxa e dançam.
E giram.
Ela gosta do toque da mão dele no quadril,
do ar quente do hálito nos seus ouvidos.
A música toca, a letra é forte, envolvente.
Ela tenta prestar atenção nos detalhes.
A cabeça está a mil.
O beijo acontece e tudo gira mais,
talvez por culpa dos muitos copos de cerveja.
Um bom momento, boa madrugada.

O tempo jogou fora.
O tempo afastou as trocas de idéias,
a vontade de encontrar, a vontade de olhar.
O tempo apagou os detalhes da lembrança.

Mas a música ainda existe.
Aquela que quando toca faz a madrugada voltar.
Faz ela sentir a mão dele no quadril
e o ar quente do hálito nos seus ouvidos,
como se fosse naquele instante.

O tempo está despejando aqui.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Relíquias


Do relicário guardado a mais de sete chaves, retiro o rancor amassado feito bolinha e grampeio com aquele recorte de saudade.
Coloco ao lado.

Um dia na praia ali embaixo, dobrado em quatro partes, uma andança de madrugada em forma de origami, conversas no envelope de cartão, jogos universitários dentro do bilhete.
Carro, bebidas, árvores.

Alguns têm clips, lembretes. Outros amarelam mais que as fotos.
Tudo ali, junto-misturado. Um dia por cima do outro, se apertando com os sentimentos picotados de hoje. Feito tirinhas.

Um punhado de dias de papel, momentos na mais simples dobradura.
É assim meu relicário.
Guardo tudo lá de novo. Bem no fundo do armário.
Porque tudo tem que ficar trancado - sou a única que sei.

Para sempre que durar esse meu frustrado sorriso papel-pardo.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Domingo de Lágrimas.

E de repente, o tudo virou nada e o nada virou tudo, o verso ficou mudo e a vida sem graça. E ela, sempre tão certa de si, perdeu o rumo, as palavras e pose de durona. Chorou que nem criança no colo do amigo, viu os amores do passado se esvaírem. Era de novo a frustração. Mais um amor que não deu certo, mais uma decepção para a sua coleção. Do amor, que era novo, e que agora também ficava para trás, só sobraram lembranças de momentos que ela quer esquecer, não porque quer, mas porque precisa. Nas últimas semanas escutou de amigos que estava mudada. Para pior?

O mundo rosa onde ela vivia está perdendo as cores. O corretivo já não esconde as olheiras de noites mal dormidas e de domingos de lágrimas. Ela desceu do salto e tirou a máscara. Mas isso, ele não pode ver, não pode saber. Ela não vai deixar. Seu maior medo é que a sua fraqueza esteja escancarada pra ele, pra todos.

E da distância desde a última conversa, a conclusão é uma só. Ela não pode olhar nos olhos dele. Tudo isso é tão sufocante. “Ela era de leão e ele tinha dezesseis”. Inconcebível. Ela não quer vê-lo. De todo o sentimento agora há um misto de arrependimentos e uma metralhadora cheia de mágoas. E uma certeza. A de que ele nunca foi tudo o que ela via nele. Ele já virou a página. E ela ainda lembra das juras que um dia fez deitada no seu peito, que talvez agora embalem o sono de uma outra, que jamais merecerá mais que um cinema com seu melhor namorado.

E tudo parece querer derrubá-la. Vinte minutos de balada e a música tocou, numa versão nova. Uma que ela ainda não tinha escutado. A da saudade. Ela engoliu o choro. Ela está descartando-o do seu folhetim. Ela chegou no seu limite.