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terça-feira, 23 de junho de 2009

Tentativas.

Percebo há alguns instantes que meus olhos tentam te encontrar.
Que minhas mãos querem te tocar.
Que meu peito quer falar, soltar, frases altas, com gritos, gemidos até então presos.
Peço que me deixe ao bater a porta, mas que não bata na minha janela só pra me fazer escutar.

Preocupo-me com cada parte do teu corpo, mas muito mais com o meu, que chama o teu em silêncio, e se esforça para nadar contra a corrente das vontades.
Interesso-me por cada passo, penso em cada quadrado de chão que você pisa.
O exagero dilata minhas pupilas e me retrai, só por isso permaneço com os pés fincados.
Procuro não levar mais a sério.

Sou mais uma entre tantas, com a pele que já foi manchada.
Não quero mais pensar numa constante, tentando manter os apertos e a saudade excluídos dos sonhos de fim de noite.
Mas a noite sempre termina, o relógio nunca pára e os sentimentos permanecem firmes, como rochas.
Ainda bem.
É o maior sinal de felicidade, sentir e ter sentido.
A inquietação faz parte do cotidiano e eu quero embebedá-la.
Porque querer e não querer sentir, quando se sabe que é fora de cogitação tocar de novo, machuca.
Será que consigo ser um objeto? Ser não pensante?
Em certos momentos eu queria. Sim, é verdade.
Pensar é relembrar. Coisa boa.
Mas quando vira tortura não vale a pena.
Considero ser responsável e ao mesmo tempo inocente em relação aos últimos atos.
Últimos, que mais pra frente serão os primeiros.
Possuo todos os defeitos e qualidades em uma mistura.
Mas me permito.
Sou mais forte que o medo.










Na eterna tentativa,
com expectativas de sucesso,
de controlar o pensamento
e abafar o sentimento.






.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Começo !!!


Apareceu no momento que eu mais precisava e no momento que eu menos esperava. Aconteceu!
Não sei o que passa pela sua cabeça, só sei que na minha você passou a ser constante.
O seu sorriso foi a porta de entrada para a admiração inicial. Com a mesma cor (a cor que põe o sol), com os mesmos gostos e com a mesma sintonia.
Estamos dando corda ao relógio, mas em certos momentos queremos que ele pare. Pode ser que o relógio desperte e acordemos do sonho, mas o sonho já é o começo!






quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ela faz o seu melhor.

Ela não consegue mais escrever.
Estava ao seu lado, quando ouvia seus resmungos insatisfeitos de letras mal escritas.
Mal arranjadas, arranjos sem melodia.
Pedi que tivesse calma, que esperasse pelo seu melhor momento, talvez isso fizesse sua cabeça pensar com mais clareza, e não como seus toques no teclado de momento, que saiam como tiros no escuro.

Recebi como resposta um choro contido.
Pedi que soltasse, porque sabia que ela era capaz de fazer o seu melhor, quando chegasse a hora certa.
Sei que falei em vão.
Em certas circunstâncias, não adianta incentivar.
Ela aceitaria quando estivesse preparada.
Depois de dez minutos de angústia isso aconteceu.

Ela era realmente linda, com longos cílios que me faziam pensar por longos minutos se aquilo tudo era real.
Será que seus parágrafos não saiam porque ela estava triste?
Não sei dizer...
A única coisa que fluiu na minha cabeça é que ela não merecia nada daquilo.
Ainda bem que tenho a certeza que suas palavras vão voltar em um curto espaço de tempo. Porque ela ainda tem muita história pra contar.
Muitos dias pra aprender...
Muitas semanas pra se apaixonar.

sábado, 9 de maio de 2009

Dos relacionamentos humanos...



Eu tinha de 9 para 10 anos quando pedi:

“Pai, me compra uma planta carnívora?”.

Confuso, ele me questionou:

“Mas pra quê você quer uma planta dessas, filha?”

“Para ver como é que ela devora os insetos mesmo sem poder sair do vaso”

...

A minha planta carnívora chegou em pouco tempo. Dei a ela o nome de Genésia e volta e meia, eu encostava uma folha no que na época eu chamei de “boca da planta” só para vê-la fechar. Era para mim um mecanismo fascinante. E ver como um ser que parecia tão frágil e indefeso podia ser tão mortal e perigoso me empolgava mais ainda.

Mente quem diz que crianças são boas. Crianças são más.

A verdade é que a Genésia morreu em pouco tempo. De tão deslumbrada com o fato dela ser tão forte, feroz e até perigosa para seres menores, eu esqueci de regá-la. Julguei que ela fosse capaz de se alimentar sozinha e sobreviver sem que eu a ajudasse.

Ela morreu por descuido meu, assim como morrem todos os relacionamentos humanos que julgamos serem tão fortes a ponto de não precisarem ser regados.

E eu, criança estúpida e inconseqüente, jamais pensei que talvez ela ficasse triste ao me ver regar a orquídea que nem me divertia tanto quanto ela, quando se fechava diante de mim.

É. Assim são todos os relacionamentos entre pessoas e plantas.

domingo, 12 de abril de 2009

Da pouca água que me resta

Entenda que essas linhas só serão plenamente compreendidas por aqueles que um dia já quiseram engarrafar todo o seu bem-querer.

Aqueles que, cansados de ver a água se esvair pelos dedos das mãos, desejaram colocá-la toda dentro de uma garrafa para bebê-la pouco a pouco. Caso o líquido fosse escasso, o que na maioria das vezes é verdade, porque nunca há amor que sobre, poderia descer pela garganta apenas um gole a cada ano, para diminuir a saudade daquele amor tão doce e gentil que insiste em ir embora.

E esses, que sentem falta desse amor, vão entender que no auge da sede é que se tem vontade de virar de uma vez só a garrafa. Mas quem tiver juízo há de pensar que aquilo é tudo que resta de quem se foi para nunca mais voltar.

E dói. E revolta. E entristece. Morrer de sede é triste. Viver com sede também.

Mas é que a liquidez é implacável.E se não for ela mesma a entrar pelo vão dos dedos e escapar de mim, será o tempo que a fará sumir, evaporar.

E para quem entende a dor dessas linhas, ainda resta um consolo. A água que evapora, a gente respira, e esse amor que vai embora, esse tão antigo e tão profundo, esse eu talvez não possa mais beber, mas eu vou sempre respirar.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Boa noite.


Você diz que eu te assusto.
Você diz que eu te desvio.
Você diz que eu sou bruta e que ainda te desprezo.
A verdade é que eu me comporto mal.
Eu não gosto do bom senso.
Eu não rezo e talvez nem tenha salvação.

Esqueci o que me disseram sobre casa, filhos e televisão.
É preciso ser sangue frio para ver que o sangue é quente.
E que, de alguma forma, dessa vez, possa ser diferente.

Pode ser o que nunca vi.
Pode ser o que tenho na mão.
Pode ser exatamente o que eu digo ou pode ser não.
Abandonei alguns sonhos.
Me desapeguei de regras e da exceção.

“Fiquei muda ao lhe conhecer

O que vi foi demais, vazou
Por toda selva do meu ser
Nada ficou intacto
Na fronteira de um oásis
Meu coração em paz, se abalou
É surpresa demais que trazes”

Acho que o acaso faz charme.
Manda o amor chegar sem dar aviso.
E na noite alta se releva, dia claro, madrugada...
“Um passeio pela pele”
Você não tem medo de mim.
Eu tenho medo de querer.

Você diz que eu sou doida, que sou carente de razão.
Também diz que eu sou cruel.
E no silêncio por trás daqueles vidros embaçados, eu te abraço.
É suborno de desejo.

Quem sabe a gente não se encontra pela rua?
Ainda é cedo e tudo pode acontecer.
Pode ser que eu ria de mim.
Pode ser que eu queira demais.
Pode ser que seja fugaz.

Se eu te trago sorte, aposte em mim.
Pode ser que seja normal.
Pode ser que seja fatal.
Se você quer calma, eu quero um temporal.
Romântica de culpa.


“Não existe amor sem medo
Boa noite!
Para quem não tem para quem se dar, o dia é igual à noite
Tempo parado no ar, há dias
Calor, insônia, noite
Quem ama vive a sonhar de dia
Voar é do homem
A vida foi feita para estar em dia”

segunda-feira, 6 de abril de 2009

...

O contrário do que pedia era muito mais tentador aos outros olhos.
Os olhos que me seguiam eram muito mais tristes.
Mais infindos do que os que eu desejava.
Desejar é preciso.
O que é preciso é o que não me agrada.
O mundo parou num momento incerto e tudo fazia o não, ser um atrativo a mais que o sim.
Sim, sim, eu sei.
Não que eu me deixe levar pelo o que eu não quero.
Mas o que eu quero ás vezes não é que me cai bem.
Não, eu não deixei.
Troquei o duvidoso pelo certo e o incerto pelo nada.

Porque
de você sei quase nada
pra onde vai ou porque veio.