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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

... Vai sim, vai ser sempre assim.

Vai sim, vai ser sempre assim. A sua presença vai me sufocar.
Vai sim, vai ser sempre assim. A sua falta vai me incomodar.
Já não agüento mais. Vou chorar baixinho pra ninguém ouvir.

Vai sim, vai ser sempre assim. Um pra cada lado, como você quis.
Vai sim, vai ser sempre assim. Vou me acostumar, vou gostar de mim.
Mesmo que eu tenha que mudar de ares ou até mesmo lembranças de lugar.
Vou fugir de tudo, é melhor assim.

O meu olhar ainda vê o seu. Vai me devorando bem devagar.
Quando menos eu espero a saudade vem.
E me dá essa vontade... vem?

Eu ainda sinto frio. Sem você está tudo tão vazio.
Troco todos meus planos.
E me dá essa vontade... vem?

Vai sim, vai ser sempre assim. A sua sombra vai me perturbar.
Vai sim, vai ser sempre assim. A sua voz vai me torturar.
Mesmo que eu tenha que mentir, fingir que estou em paz e ainda sorrir.
Vou segui em frente, sem olhar pra trás.

Vai sim, vai ser sempre assim. As minhas lágrimas vão me consolar.
Vai sim, vai ser sempre assim. Em um relicário vou te colocar.
Sei que aos poucos você sai enfim. Vou sorrir sem medo de você e de mim.

sábado, 24 de janeiro de 2009

A Cerveja e o Vinho

Enquanto entornava a lata suada e a cerveja estupidamente gelada descia pela garganta seca, pensava que alguns amores eram como aquela bebida. Um rompante, um momento. Algo que se bebe rápido e em um só gole. Dois ou três talvez. Mais do que isso é tempo suficiente pra cerveja esquentar. E cerveja choca ninguém bebe. Amor choco ninguém quer.

As grandes paixões são bebidas assim, num só gole. Esvazia-se a lata de uma vez, porque se esquenta, ninguém bebe o resto. Fica ali, aquele fundo de lata que nem é mais tão atraente.

Mas há um outro tipo de amor. Aquele que ele não se permite beber com medo da dor de cabeça no dia seguinte. O amor que é como vinho. Envelhecido em barril de carvalho.

Aquele que fica na estante, numa linda e impecável garrafa que nunca é aberta.

Não falta a ânsia de abri-lo e bebê-lo todo de uma vez, mas a coragem. Uma vez arrancada a rolha, a bebida pode azedar. E ao tirar aquela relíquia da prateleira, corre-se o risco de perder o encanto da sala inteira.

Enquanto ele vira a lata de cerveja barata na sala com os amigos, olha pesaroso para o vinho na estante. Mas é menos trágico perder o fundinho de dezenas de latas a deixar que aquele precioso vinho azede.

Todos os dias, bebem-se muitos amores corriqueiros, com medo de se entorpecer do mais profundo de todos os sentimentos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Reticências...

Ela não queria acreditar


que tudo não passava de dias bons com seqüências frias.

O gelo do depois com a lembrança quente do dia anterior.

Como podia ser sempre assim?

Como podia não receber em troca

o mesmo pensamento, a mesma saudade, o mesmo medo.

Era uma vontade que espanca contra a incerteza que esmaga.

Aumentava o volume do desejo.


Queria escancarar em canais de televisão

como novelas com alto ibope.

Mas não podia, não devia.

Era o passar dos dias com expectativas constantes.


Depois de uma declaração bonita, um soco na cara

e assim ia levando.

Olhava pro computador, mexia nos cabelos, suspirava.

Rotina diária.

Saia, caminhava, cantava, dançava. Beijava.

Se enlouquecia e se aquecia,

com os pensamentos que passavam pela cabeça.

Um monte de coisas, depois de outro encontro.

Constantes encontros, com alguém inconstante.


Difícil.

Aprender com o difícil é mais fácil

Como andar em um labirinto com várias saídas.

O dela podia ter vários finais,

mas só um interessava.


O do beijo interminável.




quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

suspiro.


ignoro teus olhos como todo meu amor - te xingo escondido mas penso no beijo com ardor - te pego sorrindo e não nego que gosto dos dentes daquilo que só eu vejo - te canto te fumo te mostro meu mais tranqüilo toque e mais gentil desejo - te puxo te ensino os passos que mudam que mostram um caminho - no colo te nino te explico o que vejo em mim e em você - te chamo para navegar te mostro que as ondas nos levam para onde devem levar

O céu, de repente, fica azul.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

“Eu me arrumo, eu me enfeito, eu me ajeito. Eu interrogo meu espelho...”

Respiração ofegante, pensamentos arrepiantes.
Mãos trêmulas, olhar brilhante.
Boca seca, entreaberta.
Coração aos pulos, pernas bambas.

Então, já que iam se encontrar começou a se preparar como só se preparam as ondas quando chegam até a areia.


Não era um encontro qualquer, senão o primeiro. E o primeiro encontro, exige arte maior. Pois os que vão ao primeiro encontro também querem pavimentar o caminho do encontrar. Parecia estar mais interessada no pré-encontro que no encontrar.

Sentia a carga daquele momento, quase insuportável. Pensava em detalhes, seu vestido, o perfume. Muita maquiagem? A flor em seu cabelo. Era tanto esmero.
Era adulta, mas parecia ter dezesseis anos.


Há quem diga que a vida é a arte do encontro embora haja tantos desencontros. E há também a mística do primeiro encontro. E o primeiro é tão complexo e interminável, que pode ele se dar do décimo quinto ou trinta anos depois. É imensurável o que cada um quer receber e o quanto quer se dar.

Naquela esquina, um velho bar. Teu jeito displicente de andar, bagunçando os cabelos enquanto caminhava em minha direção.

Meu pensamento voa longe enquanto você vai me contando histórias. Te dou sorrisos fáceis, você segura minha mão. Eu brinco com seu cabelo, sua mão em meu joelho.

A troca de olhares e você me beija. Eu te beijo, você me abraça. Cheguei em casa e senti teu perfume grudado em mim. Nem quis acreditar na solidão e nem demais em nós dois, pra não encanar.

Eu sei que jogos de amor são para se jogar, sem regras ou juiz. Mas se você lembrar, se quiser jogar, me liga?

Podem ser os desencontros esboços do autêntico encontro. O ideal é que todo encontro fosse o primeiro encontro.

E já disse Pablo Neruda: "E aquela vez foi como nunca e sempre: vamos ali onde não espera nada e achamos tudo o que está esperando".

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Espera

Entre ligar e esperar, prefiro a espera, essa que faz o tempo parar num inconstante calejar do peito. Olho para minhas mãos, jogo os cabelos para trás, assisto a vida familiar entre churrascos e cervejas de domingo, mas penso longe.

[queria seus olhos aqui, mas meus olhos estão distantes.
tua pele combina com a minha, tua boca é profunda como esses olhos que não querem me ver. Como o meu corpo que chama o teu. Como a minha língua que queima, mas muito mais quando encosta na tua.]

de repente me dou conta que a chuva torrencial de verão que cai lá fora, também pode ser o oposto, como um sinal de fogo.

[é a natureza gritando, por mim, por você.]

enquanto ela grita, eu continuo esperando e me deliciando.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

"Brindo à casa, brindo à vida"

[texto escrito em parceria, pelas marinas morenas]




Quatro mulheres, tão meninas, voam como beija-flor, de flor em flor para beijar. O doce beijo foi aquele que trouxe de volta boas coisas. Os copos de cerveja brindam a volta das borboletas no estômago, sem o medo de um turbilhão voltar.

O desejo vem, sem ser convidado, mas chega com um ar potente, que lateja, demonstra perigo, mas que não pode ser evitado. Ele tormenta, como chuvas torrenciais, em uma tarde de verão. Doces novembros, dezembros. Tristes, mas com instantes puramente deliciosos, como pavê de uva no natal.

Bom mesmo é saber que a vida nos dá a chance de poder se encontrar. De trocar as experiências. Quem já não passou pela sensação de um dejavù? Quem não passou por uma incerteza depois de uma noite de loucura certa?

Músicas tocam diariamente e são elas que fazem voltar, mas a volta não precisa ser intensa, que intrigue a cada viagem. Ela precisa dar uma entonação gostosa, como um passo de um xote, um grude de um samba, um abracinho de love song. Ela precisa trazer paz e se essa for a forma escolhida, é assim que vai ser. Música boa sussurrada no ouvido, dá um calafrio. Sem mágoa, nem lembrança de tristeza ou saudade.

Meses de um fim de ano curtido, como pinga de fruta, com gosto de quero mais. Envolvido numa idéia de que depois de tudo, ainda restam os arrepios na orelha as mãos atrás da cintura, é como um laço pra fechar um ciclo que foi bom, que foi ruim, que é bom. Como uma onda elétrica com picos e desníveis.

Passamos pelas mesmas mudanças, de pensamentos, desejos e sonhos escondidos. Esse vai e vem de formas geométricas irregulares faz a dança se repetir, mas com passos cada vez mais ensaiados, como um caminhar de pássaros num campo de flores cheirosas. Como o teu perfume numa noite qualquer. Vale a pena sentir os detalhes mínimos, mas os passos, nunca chegarão ao perfeito espetáculo. Por que assim não tem graça. Não vale a pena.

A cor do céu passa uma leve sensação de que é um dia para se pensar. Pensar em como tudo que envolve uma vida leva anos para ser preenchido. E não há nada melhor do que a sensação de alívio porque tudo foi visto, sentido e tocado de verdade.

Tudo que envolve um período, precisa ter seu desfecho. O clichê da vida é sempre achar um final feliz, mas quem disse que a vida precisa dessa regra? Bom mesmo é esperar a ligação no dia seguinte, sem saber se ela vem. É doar o seu amor e não esperar receber nada em troca, nem todos estão prontos.

Por quanto espaço temos que caminhar pra perceber que estar bem, é simplesmente a combinação de coisas que valeram a pena, sem arrependimentos, com um ar de incerteza. Nem todas as decisões tomadas foram sofridas, assim como as que não foram tomadas, foram arrependidas e lançadas no espaço.

Uma palavra solta, um olhar mais apaixonado, um abraço encanado. Tudo isso precisa ser vivido, mesmo que doa, que alegre demais, que o sonho desperte desejo. Os sentimentos são bons, mas podem ser pesados demais para carregar sozinha. Se permitir ser livre, ser leve já é um presente da vida. As pessoas se aproximam assim.


Elas não sentem mais medo da despedida.