** Já que a moda é falar de Dom Casmurro, deixo aqui algumas impressões minhas sobre os seguidores de Bento Santiago.
Quem não assistiu à minissérie Capitu ontem, assista hoje. Está muito bem feita e lindamente adaptada à TV.
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Então ele a imaginava a se pintar. De vermelho nos lábios, de preto nos olhos, um rosado leve nas maçãs do rosto. As maçãs. Aquelas mesmas que ele tantas vezes já beijara carinhosamente.
Ele não podia suportar.
Então ele a imaginava a se vertir. Aquele vestido curto que a deixava com as pernas à mostra. E pensava quantos homens teriam a oportunidade de ver aquelas pernas. O mesmo vestido que a deixava com um dos ombros nu. Apenas um, por onde ele gostava de deslizar seus dedos leves sobre a pele dela.
Ele não podia suportar.
Então ele a imaginava a arrumar os cabelos. Prender, soltar. Aquelas mechas em que ele tantas vezes havia sentdo um perfume que em nenhum outro lugar jamais sentira. E ela agora prendia e soltava para que outro cheirasse.
Ele não podia suportar.
Então ele a imaginava abraçando e beijando outros homens. E pensava em quantos a haviam visto nua. E para quantos teria voltado aquele sorriso pueril e cheio de malícia ao mesmo tempo. Aquele sorriso que chegava a ser felino.
Ele não podia suportar.
Então ele imaginava a si mesmo, um homem capaz de tantas fantasias por não se conformar em ter deixado ir a única mulher que o amara sinceramente. Deixou-a por tão pouco. E não só a ela, mas à sua felicidade. Ele abandou a felicidade. Condenou-se a uma vida mesquinha e pequena.
Ele não podia suportar.
Então ele preferia imaginar que ela era uma qualquer. Desta forma, tudo era mais fácil.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Notas de um amor urbano
Ele era um desses rapazes que, aos sábados, com a barba por fazer, sobem ou descem a rua Augusta. Aos sábados quase sempre no início da noite, os óculos, meio tortos e o rosto um tanto amassado por baixo da barba crescida o faz, transparecer a noite mal ou bem dormidas. É provável que tenha enchido a cara na noite anterior, acabado de chorar ou qualquer coisa assim. Costumam usar jeans desbotados, tênis gastos, camisetas e, quando mais frio, algum agasalho de time de futebol. Quase sempre levam as mãos nos bolsos, o que torna impossível para os outros, notarem seus dedos amarelados pelo excesso de fumo. Eles olham para baixo, não como se tivessem medo de tropeçar nos solavancos freqüentes das calçadas da Augusta, mas como se não houvesse expectativas. Seguem atônicos, como se tanto fizesse dobrar à esquerda ou à direita, seguir em frente ou voltar atrás. Por serem como são, seguem sempre em frente, subindo ou descendo a rua Augusta. E por serem tão iguais, quem prestar atenção em algum deles, jamais saberá se são muitos ou apenas um. Um único rapaz: este, com a barba por fazer e mãos enfiadas no fundo dos bolsos, que agora, logo depois de cruzar o Miranda, começa a descer a rua Augusta em direção centro, no sábado à noite.
*
Ela era uma dessas moças que, aos sábados, com uma bolsa pendurada no ombro, sobem ou descem a rua Augusta. Aos sábados quase sempre à noite, com o rosto um tanto amassado e com olheiras que nem pensou em disfarçar com maquiagem, acabam por revelar mais do que imagina. E quem olhar com atenção perceberá que dormiu mal ou bem demais, que bebeu na noite anterior, acabou de chorar ou qualquer coisa assim, sem muita importância. Costumam, elas também, usar jeans desbotados, sapatos de salto baixo e alguma blusa de seda crepe. Essas moças que, não se sabe se pela maneira altiva como fingem não ouvir as gracinhas que alguns dizem, ou se pelo jeito firme de segurar a alça da bolsa com seus dedos de unhas sem pintura, ficam a espera de um súbito encontrão de alguém que arrebatasse a bolsa para depois rasgá-la num terreno baldio e, decepcionado, com o dinheiro escasso, uma agenda de poucos compromissos, bilhetes de metrô e algum livro de poesia, fugisse atrás de mais sorte. Essas moças não olham para baixo nem para cima: com passo decidido, olham direto para a frente, como se visualizassem além do horizonte um ponto escondido para esses outros que passam quase sempre sem vê-las. Talvez sejam tantas e, se realmente o são, tão parecidas que, se alguém do alto de uma janela no Conjunto Nacional olhasse para baixo e as visse agora, poderia pensar ver só uma. Uma única moça: esta, com a bolsa velha pendurada no ombro, que depois de cruzar o Miranda começa a descer a rua Augusta em direção aos centro no sábado à noite.
*
Mas já que o mundo, apesar de redondo, tem muitas esquinas, encontram-se esses dois, esses vários, em frente ao mesmo cinema e olham o mesmo cartaz. Love kills, love kills, ele repete baixinho, sem perceber a moça a seu lado. And this is my way, ela canta em pensamento, na versão de Frank Sinatra, não de Sid Vicious, sem perceber o rapaz ao seu lado. E talvez porque rapazes e moças como ele e ela aos sábados à noite raramente se enfiam pelos cinemas, já que preferem o álcool em excesso, os dois se encaminham para as entradas em arco do espaço Unibanco. Olharam calmamente o cartaz de Fellini e, depois, trocaram olhares:Ele sorriu para ela, sem ter o que dizer. Ela também sorriu para ele e completou:
-A augusta parece Las Vegas, não?
- O quê? - ele perguntou sem entender.
Ela apontou para trás:
- O ambiente, las Vegas brasileira..
Surpreso, e meio bobo, ele perguntou:
- E você já esteve lá?
- Nunca - ela sorriu outra vez. - Mas não é preciso. Deve ser bem assim, você não acha?
- O quê? - ele, que era meio lento, tornou a perguntar.
- O ambiente - ela suspirou.
- Parece Las Vegas.
Ele sorriu também outra vez.
E concordou:- Sim, é verdade. Parece...
Nesse momento talvez ele tenha pensado em oferecer um cigarro a ela, em perguntar se já tinha visto aquele filme ou alguma outra dessas coisas meio bestas, meio inocentes ou terrivelmente urgentes que se costuma dizer quando um desses rapazes e uma dessas moças encontram-se com razões sexuais ou não. Mas como ele era mesmo sempre um tanto lento, não perguntou coisa alguma, não fez convite nenhum. Nem ela. Que lenta não era, mas apenas distraída. Ela então sorriu pela terceira vez, e já de costas abanou de leve a mão abrindo os dedos, e continuou a descer a rua Augusta. Ele também sorriu pela terceira vez meio sem jeito como era seu jeito, enfiou as mãos ainda mais fundo nos bolsos, coçou a barba por fazer e resolveu descer a rua Augusta.
Uns cem metros além, por associação de idéias nem tão estranha assim, talvez um deles tenha olhado para trás procurando quem sabe algum vestígio, um resto qualquer um do outro pela rua Augusta escura de um sábado a noite.
Mas ambos já tinham sumido por esquinas de ladeiras súbitas e calçadas maltratadas. Ao redor deles, luzes amareladas e vermelhas, prostitutas que dançam e bêbados que cantam. Não seria surpresa se no próximo segundo surgisse uma briga ou alguém cheirando pó, “Sim, Las Vegas brasileira”, Talvez tenham pensado, embora, de certa forma, eles nunca tivessem estado lá.
*
Ela era uma dessas moças que, aos sábados, com uma bolsa pendurada no ombro, sobem ou descem a rua Augusta. Aos sábados quase sempre à noite, com o rosto um tanto amassado e com olheiras que nem pensou em disfarçar com maquiagem, acabam por revelar mais do que imagina. E quem olhar com atenção perceberá que dormiu mal ou bem demais, que bebeu na noite anterior, acabou de chorar ou qualquer coisa assim, sem muita importância. Costumam, elas também, usar jeans desbotados, sapatos de salto baixo e alguma blusa de seda crepe. Essas moças que, não se sabe se pela maneira altiva como fingem não ouvir as gracinhas que alguns dizem, ou se pelo jeito firme de segurar a alça da bolsa com seus dedos de unhas sem pintura, ficam a espera de um súbito encontrão de alguém que arrebatasse a bolsa para depois rasgá-la num terreno baldio e, decepcionado, com o dinheiro escasso, uma agenda de poucos compromissos, bilhetes de metrô e algum livro de poesia, fugisse atrás de mais sorte. Essas moças não olham para baixo nem para cima: com passo decidido, olham direto para a frente, como se visualizassem além do horizonte um ponto escondido para esses outros que passam quase sempre sem vê-las. Talvez sejam tantas e, se realmente o são, tão parecidas que, se alguém do alto de uma janela no Conjunto Nacional olhasse para baixo e as visse agora, poderia pensar ver só uma. Uma única moça: esta, com a bolsa velha pendurada no ombro, que depois de cruzar o Miranda começa a descer a rua Augusta em direção aos centro no sábado à noite.
*
Mas já que o mundo, apesar de redondo, tem muitas esquinas, encontram-se esses dois, esses vários, em frente ao mesmo cinema e olham o mesmo cartaz. Love kills, love kills, ele repete baixinho, sem perceber a moça a seu lado. And this is my way, ela canta em pensamento, na versão de Frank Sinatra, não de Sid Vicious, sem perceber o rapaz ao seu lado. E talvez porque rapazes e moças como ele e ela aos sábados à noite raramente se enfiam pelos cinemas, já que preferem o álcool em excesso, os dois se encaminham para as entradas em arco do espaço Unibanco. Olharam calmamente o cartaz de Fellini e, depois, trocaram olhares:Ele sorriu para ela, sem ter o que dizer. Ela também sorriu para ele e completou:
-A augusta parece Las Vegas, não?
- O quê? - ele perguntou sem entender.
Ela apontou para trás:
- O ambiente, las Vegas brasileira..
Surpreso, e meio bobo, ele perguntou:
- E você já esteve lá?
- Nunca - ela sorriu outra vez. - Mas não é preciso. Deve ser bem assim, você não acha?
- O quê? - ele, que era meio lento, tornou a perguntar.
- O ambiente - ela suspirou.
- Parece Las Vegas.
Ele sorriu também outra vez.
E concordou:- Sim, é verdade. Parece...
Nesse momento talvez ele tenha pensado em oferecer um cigarro a ela, em perguntar se já tinha visto aquele filme ou alguma outra dessas coisas meio bestas, meio inocentes ou terrivelmente urgentes que se costuma dizer quando um desses rapazes e uma dessas moças encontram-se com razões sexuais ou não. Mas como ele era mesmo sempre um tanto lento, não perguntou coisa alguma, não fez convite nenhum. Nem ela. Que lenta não era, mas apenas distraída. Ela então sorriu pela terceira vez, e já de costas abanou de leve a mão abrindo os dedos, e continuou a descer a rua Augusta. Ele também sorriu pela terceira vez meio sem jeito como era seu jeito, enfiou as mãos ainda mais fundo nos bolsos, coçou a barba por fazer e resolveu descer a rua Augusta.
Uns cem metros além, por associação de idéias nem tão estranha assim, talvez um deles tenha olhado para trás procurando quem sabe algum vestígio, um resto qualquer um do outro pela rua Augusta escura de um sábado a noite.
Mas ambos já tinham sumido por esquinas de ladeiras súbitas e calçadas maltratadas. Ao redor deles, luzes amareladas e vermelhas, prostitutas que dançam e bêbados que cantam. Não seria surpresa se no próximo segundo surgisse uma briga ou alguém cheirando pó, “Sim, Las Vegas brasileira”, Talvez tenham pensado, embora, de certa forma, eles nunca tivessem estado lá.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Nem sempre déjà vu.
Pegou na minha mão e me chamou para dançar. A música ficou lenta, nossos corpos se juntaram, a melodia envolvendo o momento e nossas bocas.
A gente se envolveu. Jorge Ben, eu e você.
Jorge Ben, eu, você, ela.
Jorge e eu, você e ela.
O amor e o ódio caminham lado a lado, linha tenue, preferi te amar.
Pegou na minha mão e me chamou para dançar. A música ficou lenta, nossos corpos se juntaram, a melodia envolvendo o momento e nossos corações.
A gente se envolveu. Jorge Ben, eu e você.
Jorge Ben, eu, você, aquela.
Jorge e eu, você e aquela.
O amor e o ódio caminham lado a lado, linha tenue, preferi te esquecer.
Pegou na minha mão, não havia espaço pra dançar. Jorge Ben dividiu o palco com Cazuza e eu joguei tudo pro ar.
A gente se envolveu. Eu e você, e mais ninguém.
O destino põe tudo a prova, mas esses momentos nunca me pareceram iguais.
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Nina
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Perfume

Desde a última vez em que o abraçou, naquela tarde chuvosa do mês de maio, jamais havia encontrado ninguém que usasse aquele perfume. Um aroma forte e único, que ela não saberia dizer essência do quê. Lembrava-se de tê-lo respirado fundo como se pudesse guardá-lo consigo, mas de tê-lo sentido se esvair por não conseguir prender todo aquele ar.
E ela admitia: Nos primeiros dias procurou incansavelmente em cada abraço, em cada frasco, em cada brisa, ainda completamente entorpecida daquele odor envolvente.
Mas ela sabia, toda droga causava, depois da euforia, uma depressão aguda e dolorida. Um mês, dois, três, quarenta novos cheiros em pelo menos vinte novas nucas que beijou em madrugadas regadas a muito álcool. Uma ou duas vezes ela teve a impressão de sentir aquele perfume de novo, mas sabia que disso não passaria: uma impressão tola de quem vê uma cascata num deserto imenso.
Sabia agora, como quem sabe que um dia morrerá, que ele nunca usara nenhum perfume. Era desleixado e ranzinza demais para isso. Aquele cheiro que a deixava tonta, o mesmo que ela buscava incessantemente em todos os abraços, era o cheiro dele, o cheiro da pele dele. E essa fragrância é aquela que ninguém jamais poderia manipular.
E para esquecer, o cheiro do conhaque lhe bastava.
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Luiza
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Prostituição de valores

Foram meses de luta e reluta.
De lembranças da sinceridade às avessas
Forjada numa intensidade de risadas e bebidas.
Mas Ana dançava.
Porque sabia que o melhor ainda estava por vir.
E com ele, respeitável público, o começo do espetáculo.
As palavras ficam pesadas enquanto Rosana fala, fala, fala.
E as verdades e mentiras e contradições e falsidades:
ali, limpas, esticadas, prontas para o reuso.
A história que se resume tão friamente em casos paralelos.
Histórias carnais, sujas.
De uma pessoa que precisa provar a si mesma que é capaz daquilo que jamais terá.
Uma farsa de desejo incumbido numa vontade baixa de auto-afirmação.
E sem ela imaginar, todos já sabem.
Da prostituição de todos os valores deixados para trás.
Valores que talvez nunca existiram.
Trocando tudo pelo mais inconseqüente suor.
Por nada.
Luxúria amadora.
Fútil.
Mas enquanto a cortina desce, Ana agradece.
E a Rosana?
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Fernanda
domingo, 9 de novembro de 2008
Dolorido Colorido
Ok, esta noite não irei perguntar por que você voltou, por qual motivo -mais uma vez- bate a minha porta com olhos ainda confusos e cheios de um vazio incalculável. A verdade é que nem mesmo você sabe. Se eu perguntasse, mais uma vez, você se sentiria obrigado a responder, e respondendo, como em tantas outras oportunidades, daria uma explicação que nem mesmo você acreditaria.
Não há explicação, compreende? “Eu também não vou perguntar”, pensei ironicamente, depois quinto cigarro.
Aquilo era apenas uma alusão fantástica aos tempos em que só no silêncio construía uma compreensão úmida e intensa. Mas hoje não é. Sei que não, e você também sabe, hoje não atingiremos mais o ponto em que um silêncio basta. Tempo doce em que vinho tinto e respiração ofegante eram suficientes para saciar cada vácuo das perguntas mal formuladas.
Agora, mais do que nunca, será preciso encher o vazio de palavras. Palavras que não te convencerão, não me confortarão e não farão disto algo menos medíocre do que é.
Pergunto, sob efeito da nicotina nos dedos e língua, por qual motivo você se foi, por que, se sabia que a partida culminaria em uma imutável distância, e que nessa distância, a gente, irremediavelmente, perderia ou esqueceria tudo aquilo que construímos juntos.
Você sabe, é na distância que a gente esquece ou se perde. E, como um velho que definha na cama sabendo que está morrendo, a gente esquece sabendo que está esquecendo.
Como diria Caio Fernando de Abreu, “Dolorido, Colorido”.
Não há explicação, compreende? “Eu também não vou perguntar”, pensei ironicamente, depois quinto cigarro.
Aquilo era apenas uma alusão fantástica aos tempos em que só no silêncio construía uma compreensão úmida e intensa. Mas hoje não é. Sei que não, e você também sabe, hoje não atingiremos mais o ponto em que um silêncio basta. Tempo doce em que vinho tinto e respiração ofegante eram suficientes para saciar cada vácuo das perguntas mal formuladas.
Agora, mais do que nunca, será preciso encher o vazio de palavras. Palavras que não te convencerão, não me confortarão e não farão disto algo menos medíocre do que é.
Pergunto, sob efeito da nicotina nos dedos e língua, por qual motivo você se foi, por que, se sabia que a partida culminaria em uma imutável distância, e que nessa distância, a gente, irremediavelmente, perderia ou esqueceria tudo aquilo que construímos juntos.
Você sabe, é na distância que a gente esquece ou se perde. E, como um velho que definha na cama sabendo que está morrendo, a gente esquece sabendo que está esquecendo.
Como diria Caio Fernando de Abreu, “Dolorido, Colorido”.
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Paula
terça-feira, 14 de outubro de 2008
É uma mentira.
Nada com o que sonhar. O meu verso já não segue um padrão, e eu nem sei se quero que ele siga. Ando com mil pensamentos de você na cabeça e que me tocam bem no fundo, como uma panela que me queima a mão. A dor é rápida e intensa, assim como as palavras que eu ouço e sinto depois de um sábado de mentira.
Estranho é seguir sem um caminho planejado, sem um plano encaminhado, enquanto você aparece na visão mais perfeita, aquela visão que me dá mais medo. Covarde por não conseguir expressar a verdadeira sensação de caminhar a esmo, sem lenço e sem documento, e corajosa por seguir por um espaço de sentimentos, que eu achei que tinha perdido.
Estamos praticamente no mesmo barco, mas em lugares opostos. Continuará assim, por um tempo indefinido, até a música que me lembra você, tocar e me fazer desviar seus olhos e sua boca da minha atenção.
Indefinição é uma boa às vezes. Sigo pensando assim talvez por não querer ter nada definido. Te ter, mesmo sem ter, me acalma. A revolta vem depois.
Dessa vez ela não quer chegar. Sorte a sua. Sorte a minha.
Estranho é seguir sem um caminho planejado, sem um plano encaminhado, enquanto você aparece na visão mais perfeita, aquela visão que me dá mais medo. Covarde por não conseguir expressar a verdadeira sensação de caminhar a esmo, sem lenço e sem documento, e corajosa por seguir por um espaço de sentimentos, que eu achei que tinha perdido.
Estamos praticamente no mesmo barco, mas em lugares opostos. Continuará assim, por um tempo indefinido, até a música que me lembra você, tocar e me fazer desviar seus olhos e sua boca da minha atenção.
Indefinição é uma boa às vezes. Sigo pensando assim talvez por não querer ter nada definido. Te ter, mesmo sem ter, me acalma. A revolta vem depois.
Dessa vez ela não quer chegar. Sorte a sua. Sorte a minha.
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Marina
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