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domingo, 9 de novembro de 2008

Dolorido Colorido

Ok, esta noite não irei perguntar por que você voltou, por qual motivo -mais uma vez- bate a minha porta com olhos ainda confusos e cheios de um vazio incalculável. A verdade é que nem mesmo você sabe. Se eu perguntasse, mais uma vez, você se sentiria obrigado a responder, e respondendo, como em tantas outras oportunidades, daria uma explicação que nem mesmo você acreditaria.

Não há explicação, compreende? “Eu também não vou perguntar”, pensei ironicamente, depois quinto cigarro.

Aquilo era apenas uma alusão fantástica aos tempos em que só no silêncio construía uma compreensão úmida e intensa. Mas hoje não é. Sei que não, e você também sabe, hoje não atingiremos mais o ponto em que um silêncio basta. Tempo doce em que vinho tinto e respiração ofegante eram suficientes para saciar cada vácuo das perguntas mal formuladas.

Agora, mais do que nunca, será preciso encher o vazio de palavras. Palavras que não te convencerão, não me confortarão e não farão disto algo menos medíocre do que é.

Pergunto, sob efeito da nicotina nos dedos e língua, por qual motivo você se foi, por que, se sabia que a partida culminaria em uma imutável distância, e que nessa distância, a gente, irremediavelmente, perderia ou esqueceria tudo aquilo que construímos juntos.

Você sabe, é na distância que a gente esquece ou se perde. E, como um velho que definha na cama sabendo que está morrendo, a gente esquece sabendo que está esquecendo.

Como diria Caio Fernando de Abreu, “Dolorido, Colorido”.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

É uma mentira.

Nada com o que sonhar. O meu verso já não segue um padrão, e eu nem sei se quero que ele siga. Ando com mil pensamentos de você na cabeça e que me tocam bem no fundo, como uma panela que me queima a mão. A dor é rápida e intensa, assim como as palavras que eu ouço e sinto depois de um sábado de mentira.
Estranho é seguir sem um caminho planejado, sem um plano encaminhado, enquanto você aparece na visão mais perfeita, aquela visão que me dá mais medo. Covarde por não conseguir expressar a verdadeira sensação de caminhar a esmo, sem lenço e sem documento, e corajosa por seguir por um espaço de sentimentos, que eu achei que tinha perdido.
Estamos praticamente no mesmo barco, mas em lugares opostos. Continuará assim, por um tempo indefinido, até a música que me lembra você, tocar e me fazer desviar seus olhos e sua boca da minha atenção.
Indefinição é uma boa às vezes. Sigo pensando assim talvez por não querer ter nada definido. Te ter, mesmo sem ter, me acalma. A revolta vem depois.
Dessa vez ela não quer chegar. Sorte a sua. Sorte a minha.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Casos


Ele levanta da cama com a incerteza do que fez.
Do ápice de uma parcialidade, espera.
Sim, continua esperando.
Fez fila de momentos parciais, pessoas parciais, lugares parciais, revistas parciais.
Porque o que gosta mesmo é de uma opinião só. Um lado.
E vai esperar o que for para encontrar isso.
“A verdade é sempre a sua, ou seja, aquela que você quer ouvir”, explica-me fazendo um paralelo à minha história.

20hs e a conversa ao telefone parece longe do final.
Ele me conta todos os motivos parciais porque desistiu dessa última - a terceira em quatro meses.
- Sabe, falta uma coisa diferente.

É. Faltam muitas coisas diferentes.

Mas ele, então, segue calado.
Sorrisos rápidos, grandes filosofias curtas e a distração na música.

- Você deveria ir a um show.

.
.

Olhei atrás da fila. 5 pessoas de distância e dois ingressos se encontravam.
Incrível a coincidência dos casos.



segunda-feira, 8 de setembro de 2008

...


Lembro-me de um sonho em que eu visitava um vilarejo com muitos sapos. Foi estranho, porque nunca fui de frescura e ataques de nojo, mas gritava toda vez que via um. E ria. Gostava da sua cara de protesto para as minhas bobeiras e do abraço no final das contas. Os seus apertões eram sempre diferentes. Um para cada ocasião, porque quando eu chorava era sempre um mais doce, quando eu sorria era um mais forte e quando eu mordia o lábio era um furacão.

Lembro-me de um sonho em que eu andava entre borboletas. De várias cores. Todas elas sussurravam seu nome. Era engraçado, porque você sempre aparecia e sussurrava o meu. De acordo com o nosso grau de loucura instantânea, a risada saia sem entendermos porque. Você sempre me fez sentir uma fada brilhante entre cogumelos e estrelas cadentes. Por que com você, tudo sempre foi mágico. E os seus olhos não te deixavam mentir.

Lembro-me de um sonho em que o céu estava pink e que estávamos em uma canoa. Você tinha um radinho de pilha que era perfeito no momento. “Don't worry about a thing, Cause every little thing is gonna be alright”, enquanto o mar prata de pôr-do-sol refletia minhas mãos arrumando os seus cabelos. Eu os observava sempre. Ficavam cor de mel em ocasiões de puro romance, eu e você. Acho que eram meus olhos. (e agora meus risos)


O que incomodou, foi quando percebi que sim, você podia não ser mais parte de mim. Que sim, a minha vida continuou sem você. Eu consigo criar asas sem pensar que te deixarei para trás.


A sua mágica me fez entender que o meu amor próprio é o único perfeito. Nenhum mais.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Difícil



“Difícil não pensar, difícil é não querer gritar... Difícil olhar para trás, difícil é não te ver jamais...”


A esperança foi algo que ficou por muito tempo. Quanto? Não lembro.


Foram muitos... Muitos meses, muitos momentos, muitos erros... Pensar que fui perfeita é egoísmo, mas os maiores erros foram seus.


Sempre fingi que não gostava, mas perceber que você não faria mais parte da minha rotina foi a pior coisa que aconteceu. O disfarce caiu.


Após o telefonema veio as lágrimas e a insônia, junto c/ a insegurança de dizer para o outro que ainda gosto de você.


“Cada coisa que eu consigo, quero dividir contigo. Não vai ser fácil esquecer...”

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Dieta do Amor

O Texto a seguir foi escrito em parceria por Luiza e Paula.



Acordei com a sensação crônica da burrice de todos os meus iguais: Ninguém sabe, e jamais saberá, como é que se faz para preservar o amor. Se subentendermos, então, que o amor tenha prazo de validade, poderíamos comparar o mais famoso sentimento do mundo como quem vai ali, no mercado da esquina, e compra doce de leite, salgadinho e a lasanha congelada.


A gente até tenta se precaver para tentar prolongar a existência do amor. Os químicos inventam novas embalagens a vácuo, sacos plásticos com fecho especial e mil formas de se manter em congelamento prolongado. Além, é claro, daquele monte conservantes que fazem mal (e a gente sabe que faz), mas que nos dão a sensação de um amor saudável e comestível.

Há táticas de avó que também podem ser consideradas infalíveis. Não adianta, por exemplo, experimentar o amor com a colher e depois voltá-la à panela. Acredite, azedará todo o amor que sobrou da receita. Ah! Guardar aquele amor antigo na geladeira prolonga o uso, mas faz perder o sabor. Nesse caso, cabe ao degustador saber se vale a pena ingerir.

E é para adequar-se a essa difícil realidade que algumas pessoas engolem de uma vez só todo o amor que podem. Mas estes, coitados, esquecem-se, que o organismo também descarta os restos mortais daquele amor ingerido às pressas. Algumas horas, um dia inteiro, dois no máximo. O amor vai embora do mesmo jeito.

Existem, também, os que preferem devorar aquele amor estragado, podre e fedorento a deixar de senti-lo dentro de si. Preferem o amor que provoca o vômito a amor nenhum. E essa pessoas o engolem, vomitam, agonizam e, por fim, acabam se alimentando desse mesmo amor outra vez e mais uma, e outra.

Se raspas e restos interessarem, existe ainda aquele amor que se espalha pelo chão, se derrama por toda a extensão do ambiente. Quem preferir tomar desse amor, terá que mastigar bem o orgulho, engolí-lo e, só então, abaixar-se e recolher do chão aquelas sobras sujas que tanto desejam, antes que tudo derreta.

Tem aquele amor caviar. Ninguém gosta, mas é uma questão de status. Esse amor é degustado no "hight societ". A verdade é que ninguém aprecia, mas engole para que outros admirem o bom gosto do degustador. Esse amores possuem um prazo de validade ainda mais curto, dura apenas o período da festa, depois, é só aguardar a reação imediata no organismo. Aquela repulsa incontrolável.


Aos saudáveis, vale o amor sem tempero algum. A falta do sal, por exemplo, evita problemas do coração. Estou falando daquele prato cheio de um amor morno e sem tempero. Amor sem graça, sem gosto. É claro que esse amor também perece, mas enquanto válido, pelo menos, não faz mal ao portador. Nem bem. Nem nada. E é por isso, que muitas vezes, esse amor é deixado de lado ou consumido simultaneamente com aquele amor salgado encontrado no fundo do armário.

Aos gulosos existem aqueles amores excessivamente doces, aquele amor envolto em chocolate, leite condensado e açúcar. Esse amor causa diabetes, engorda e faz mal. Mas é doce. Esse amor dá dor de barriga, e o prazo de validade sempre sobra. Normalmente, quem o consome logo se sente enjoado e acaba ficando até com vertigem. Mas não importa, esse é o amor mais doce de todos.


E mesmo com tudo isso, triste mesmo, é fazer regime de amor. É contar calorias e deixar de ingeri-lo. Assim como das proteínas, do cálcio, dos carboidratos e dos sais minerais, o corpo precisa do amor. E dificilmente alguém se manterá de pé se não consumir um amor de vez em quando. Ou, nesse caso, se não se permitir consumir pelo amor.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Melodia e letra.


Penso com carinho nos dias que preciso. Dias mais coloridos. Sem muito falatório, mas cheios de expectativas e sorrisos sinceros. Penso em como eles vêm e vão, e não permanecem. A dura realidade de dias frios e incompletos me fazem de palhaça, a ponto de parar de sonhar por segundos pelo que ainda quero. Você que não vêm, aquele que não vai. Outro que insiste em cutucar, mesmo que em silêncio. Penso naqueles que estão comigo diariamente e percebo que mesmo achando superficialmente que as rotinas são tranqüilas, no fundo sei que são como são. Como o meu eu. Com altos e baixos. Percebo que isso não me impede de tentar seguir em frente, comigo mesma, porque todos são assim. Cheios de ilusões (sim, ilusões) e dias felizes. A música toca alto nas caixinhas de som, presto atenção em cada detalhe, em cada troca de agudos e vozes leves e entendo como tudo tem um encaixe perfeito. Existem músicas que ainda não saíram do papel porque a hora não chegou. A minha hora chega assim que a melodia encontrar a letra.